Em sua 35ª fase, a Operação Lava Jato prendeu mais uma figura influente na política nacional dos últimos anos: Antonio Palocci. Ex-ministro da Casa Civil e da Fazenda nos governos de Lula e Dilma Rousseff, o petista é suspeito de receber propina da empreiteira Odebrecht. É o segundo ex-ministro alvo da Lava Jato em poucos dias. O outro foi Guido Mantega (Fazenda), que também atuou nos governos Lula e Dilma. Essas prisões – a de Guido foi revogada – mostram que a corrupção fazia parte do primeiro escalão da gestão do PT no Palácio do Planalto, ou seja, os desvios estavam enraizados no centro do poder em Brasília.
A prisão foi determinada pelo juiz federal Sergio Moro. O magistrado decretou ainda o bloqueio de bens de Palocci e de outros acusados até o valor de R$ 128 milhões. Segundo Moro, esse é o montante indicado em planilha que supostamente registra os valores de propina que estavam sob a gestão do ex-ministro. A medida atinge contas e investimentos bancários dos investigados. Desse total, Palocci teria recebido R$ 6 milhões.
O Grupo Odebrecht está atolado em denúncias de corrupção, especialmente em governos petistas. O presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht, está preso desde março de 2015. Ele foi condenado a 19 anos e 4 meses de prisão pelos crimes de corrupção ativa, lavagem de dinheiro e associação criminosa.
A empresa, uma das maiores do país, mantinha um esquema de pagamento de propinas. No caso de Palocci, há indícios de que o ex-ministro tenha atuado diretamente para obter vantagens econômicas para a Odebrecht em contratos com o poder público e se beneficiado de valores ilícitos. Entre as provas obtidas pela força-tarefa estão e-mails que mostram indícios da atuação do petista nos crimes sob investigação.
A prisão do ex-ministro é significativa politicamente. Palocci é um dos principais nomes do PT e homem de confiança do ex-presidente Lula. Todas as denúncias envolvem os dois governos petistas. As acusações do Ministério Público Federal (MPF) apontam para um financiamento permanente da Odebrecht no sistema político do PT. É algo gravíssimo.
A Operação Lava Jato mostra mais uma vez serviço ao país. A Justiça deve ser intolerante com a corrupção. Não importa a envergadura da figura pública envolvida. Todos têm o mesmo tamanho perante a lei. Além de Palocci, espera-se agora também outras prisões, como de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e outros políticos. A Justiça precisa valer para todos.