Uma pesquisa que mediu a confiança da população brasileira nas instituições, divulgada na última sexta-feira pela Escola de Direito de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas, coloca o Congresso Nacional e os partidos políticos em último lugar. Esse resultado está longe de ser surpreendente e reflete o momento da política nacional. Políticos e partidos estão envolvidos em sucessivos escândalos de corrupção, sendo responsáveis por desvios bilionários de recursos públicos.
O índice de confiança é liderado pelas Forças Armadas (59%), Igreja Católica (57%) e imprensa escrita – jornais (37%). Na sequência do ranking aparecem o Ministério Público (36%), as grandes empresas (34%) e as emissoras de TV (33%). Apenas 29% do total de entrevistados acredita no Poder Judiciário e 25% na polícia, seguido pelos sindicatos (24%) e redes sociais (23%). A Presidência da República é acreditada por apenas 11% da população, o Congresso Nacional por 10% e os partidos políticos por 7%.
A pesquisa entrevistou 1.650 pessoas nas capitais e regiões metropolitanas do Distrito Federal, Amazonas, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo durante os primeiros seis meses deste ano.
O levantamento divulgado na sexta-feira mostra um desencanto nacional, que reflete diretamente os resultados alcançados pela Operação Lava Jato. A ampla exposição de casos de corrupção na Petrobras e outras estatais federais ampliou o descontentamento, que já é histórico em relação aos políticos.
Mesmo rejeitada, essa classe segue alheia aos interesses da população. Atolados em escândalos e denúncias, deputados e senadores mantêm o nariz empinado, agindo com empáfia. No entanto, essa crítica da população não deixa de ser contraditória. Mesmo odiando os políticos, os eleitores continuam mantendo no poder algumas figuras que não têm a mínima condição ética e moral para deter cargos públicos. Não deixa de ser uma piada de mau gosto a cada nova eleição. A renovação de nomes nem sempre significa um “sangue novo”. A política, de modo geral, está contaminada.
A imprensa escrita, mais uma vez, se destacou no levantamento. É reflexo da credibilidade dos jornais. Nos últimos anos, são esses veículos que vêm denunciando políticos, cumprindo o seu papel de defesa do cidadão. A apuração criteriosa e correta das notícias explica esse reconhecimento.
O índice de confiança serve, portanto, de baliza para compreender o atual momento da sociedade e analisar quais são as instituições mais fragilizadas diante da opinião popular. A classe política, principalmente, não pode seguir alheia ao que pensa o cidadão.