OPINIÃO

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A fragilidade do nosso sistema carcerário

Tribuna do Norte

| Edição de 19 de dezembro de 2015 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Uma megaoperação das polícias Civil e Militar confirmou a presença e o poder de articulação da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no Paraná. O grupo surgiu em São Paulo e hoje está presente em praticamente todo o País, operando, principalmente, de dentro dos presídios. Essa ação policial cumpriu mais de 750 mandados de prisão no Estado, muitos de bandidos já condenados e, inclusive, presos. Isso reafirma a fragilidade de nosso sistema prisional, no qual criminosos de alta periculosidade continuam “dando as cartas” mesmo encarcerados.

Na região, 21 pessoas foram presas na operação, batizada de Alexandria. Ou seja, o PCC também chegou a Apucarana, Arapongas e outros municípios do Vale do Ivaí, o que ajuda a explicar o aumento de muitos crimes em âmbito local.

Dos 767 mandados de prisão previstos, 484 foram cumpridos dentro de unidades prisionais do Paraná. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Paraná (Sesp-PR), pelo menos 40 líderes do PCC foram identificados nas penitenciárias do Paraná.

É uma situação humilhante para o sistema carcerário. Afinal, são criminosos perigosos que planejam a realização de assaltos, coordenam o tráfico de drogas e ainda ordenam mortes de dentro dos presídios.

A forte atuação do PCC no Paraná é preocupante. Trata-se de uma facção criminosa extremamente organizada, que ameaça a sociedade e desafia as autoridades de segurança pública. A operação feita no Paraná merece ser destacada, por buscar controlar o poder de atuação desse grupo no Estado. No entanto, está longe de resolver o problema.

Esses mandados cumpridos dentro dos presídios paranaenses servem de alerta para a insegurança dessas unidades. Ora, é inaceitável que um criminoso controle o que ocorre do lado de fora de forma indiscriminada. Essa constatação mostra que o sistema é falho e também corruptível. As prisões deveriam ser seguras e inexpugnáveis. Porém, não é isso o que ocorre. A cada nova operação bate-grade são localizados dezenas de telefones celulares, por exemplo, o que mostra que a fiscalização é falha ou houve facilitação por parte de quem deveria vigiar as penitenciárias. É preciso dar uma basta nessa situação completamente inaceitável.