OPINIÃO

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A hora da cassação do deputado Eduardo Cunha

Da Redação

| Edição de 09 de setembro de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Após o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), a Câmara Federal também precisa ser implacável no julgamento do deputado federal Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A sessão de cassação do parlamentar está marcada para a próxima segunda-feira e qualquer manobra de última hora é absolutamente inaceitável.

Símbolo nacional de corrupção, Cunha é exemplo do que há de pior na política brasileira. O seu nome gera desconforto em quem defende um país mais digno e uma política mais próxima do cidadão. Apenas alguns ingênuos e tolos ainda mantêm a tese do “meu vilão favorito”, levando em conta o fato de Cunha ter sido o principal responsável pelo processo de impeachment de Dilma Rousseff.

Uma coisa é totalmente diferente da outra. Cunha não pode exercer uma função pública. O deputado é réu em ao menos dois processos no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e falsidade ideológica. As denúncias de gastos exorbitantes de Cunha e família em Paris enojaram a população. O político registrou gastos nababescos em jantares e compras, possivelmente com dinheiro do contribuinte.

Diante de tantos fatos, chega a ser inacreditável que Cunha ainda não tenha sido preso. Outros políticos detidos durante a Operação Lava Jato, por exemplo, tiveram menos ou, no mínimo, denúncias iguais.

A sessão de segunda-feira será realizada a partir das 19h. O processo disciplinar de Cunha, ex-presidente da Casa, ficou pronto para ser levado ao plenário antes do recesso parlamentar de julho. Mas, por pressão de partidos da base aliada de Michel Temer, o atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), marcou a votação somente para depois da conclusão do processo de impeachment de Dilma Rousseff.

Para que Cunha tenha o mandato cassado, é preciso pelo menos 257 votos, a maioria absoluta dos 513 deputados. Segundo estimativas divulgadas ontem, o número de votos necessários já foi alcançado. No entanto, em se tratando de Cunha e de sua capacidade de manipulação e articulação de bastidores, tudo pode acontecer até o final da sessão.

Há um consenso de que Eduardo Cunha não tem lugar na política nacional. O deputado teve seu mandato suspenso temporariamente e renunciou à presidência, mas seus crimes e o deboche com que tratou a sociedade após a divulgação dos gastos exorbitantes em noites parisienses não podem passar em branco. O deputado precisa ser cassado e também perder seus direitos políticos. Que os deputados federais não usem a manobra de Dilma duas vezes.