OPINIÃO

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A imoralidade da anistia ao caixa 2 das campanhas

Da Redação

| Edição de 26 de novembro de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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De forma arrogante, integrantes da Câmara dos Deputados tentaram nesta semana aplicar um golpe à democracia, ao manobrar pela aprovação da anistia ao caixa 2 eleitoral. Um grupo grande de deputados, com apoio do comando da Casa, articulou na surdina pela inclusão da descriminalização das doações ocultas no projeto das Dez Medidas Anticorrupção (PL 4850/16). Tudo estava encaminhado, mas a votação acabou adiada em cima da hora após a forte repercussão de parlamentares contrários.

Um grande número de deputados está acuado com a iminente delação premiada de executivos da Odebrecht, que prometem arrolar até 200 parlamentares no lamaçal da Lava Jato. Com isso, está falando mais alto o instinto de autopreservação dos deputados, que estão em pânico com a possibilidade de ter apresentada à sociedade a série de esquemas mantidos por décadas com a empreiteira, que irrigou campanhas eleitorais, sem que isso aparecesse na prestação de contas da Justiça Eleitoral. Ou seja, esses políticos foram abastecidos por dinheiro sem comprovação legal, muitas vezes repassado de forma escondida para não deixar nenhum rastro.

As manobras feitas pelos deputados são constrangedoras. Esses políticos, simplesmente, agem abertamente de forma imoral, com o claro objetivo de se proteger das denúncias e também para reduzir o impacto da Operação Lava Jato.

O projeto apresentado pelo Ministério Público Federal (MPF) recebeu o apoio de 2 milhões de cidadãos brasileiros. No entanto, os deputados estão propondo algumas mudanças que ainda não foram apresentadas de forma transparente à sociedade. Além da questão do caixa dois, eles chegaram a tentar intimidar juízes e promotores, ao prever crime de responsabilidade para estes representantes do Poder Judiciário. Essa proposta, no entanto, foi retirada de pauta. Agora, os parlamentares manobram para institucionalizar o caixa 2, que é a doação oculta e ilegal para campanhas eleitorais.

A sociedade brasileira não aceita a anistia para o caixa dois. É algo intolerável, pois atenta contra a moral e a ética no Brasil. É um salvo-conduto para a utilização de dinheiro obscuro, fragilizando o hercúleo trabalho da força-tarefa da Lava Jato para moralizar a administração pública.

É impressionante a falta de ética da classe política, que fecha os olhos e os ouvidos para a sociedade. A Câmara, sob a liderança do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), não pode zombar da população brasileira dessa maneira. Os milhões e milhões de reais pagos pela Odebrecht como propina e para campanhas eleitorais estão aí para mostrar os efeitos nocivos do caixa 2 para o país.