OPINIÃO

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A inaceitável violência contra as mulheres

Da Redação

| Edição de 13 de março de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Os casos de violência doméstica crescem a cada ano, demonstrando que o problema está longe de ser superado. Na região de Apucarana, o número aumentou 14% em 2015 na comparação com o ano anterior. Foram 1.547 boletins de ocorrência em dois anos registrados pela Delegacia da Mulher de Apucarana, que abrange os municípios de Cambira e Novo Itacolomi, sendo 824 no passado contra 723 em 2014. No Mês da Mulher, que tradicionalmente conta com muitas homenagens, esses dados servem de reflexão.

Apucarana mantém uma estrutura adequada para atender essas vítimas de agressão. Depois de passar pela Delegacia da Mulher, todos casos são acompanhados pelo Centro de Atendimento à Mulher (CAM) da Secretaria da Mulher de Apucarana, que oferece acompanhamento psicológico, jurídico e social às vítimas.

Na Delegacia de Apucarana, a maioria das mulheres agredidas tem optado por medidas protetivas, nas quais os companheiros são intimados e informados de que não podem mais chegar perto das vítimas. Segundo informou a delegada Iane Cardoso Nascimento à Tribuna, em reportagem publicada ontem, essa medida tem surtido efeito positivo, criando uma barreira entre a mulher e seu agressor, inibindo qualquer nova ação violenta contra a vítima.

Cerca de 70% dos agressores são maridos, namorados ou ex-companheiros. As agressões são físicas e verbais, fruto de ciúme e sentimento de posse. É um reflexo ainda da cultura machista, de domínio sobre a mulher, que não deveria ter mais espaço na sociedade, mas que ainda está fortemente enraizada na formação das famílias.

Houve uma mudança de comportamento das mulheres, que passaram a denunciar esse tipo de ocorrência com mais frequência. No entanto, muitas ainda sofrem as agressões caladas. É um equívoco. Essas vítimas precisam procurar a Delegacia da Mulher. Somente tornando os casos públicos será possível reduzir o sofrimento causado pelos agressores no convívio diário. Esses agressores precisam ser afastados e punidos pela lei. É inaceitável que esse tipo de violência contra as mulheres perdure e traga tanto sofrimento.