Uma pesquisa divulgada recentemente pela Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) mostra que 86% dos entrevistados rejeitam o retorno da CPMF. Mesmo assim, a retomada desse tributo é a única aposta do governo federal para reequilibrar suas finanças e continua sendo defendida com unhas e dentes pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy e pela presidente da República, Dilma Rouseff (PT).
A sondagem foi sugerida, inclusive, por Levy. Na visão dele, a população aceitaria a volta do imposto como forma de colaborar com o País. Beira a provocação tal declaração. Segundo a pesquisa, feita por telefone pelo instituto Ideia Inteligência com 20 mil pessoas em 122 cidades brasileiras, 56% dos entrevistados sabem o que é CPMF. Desse universo, 86% declaram não gostar desse imposto. Apenas 11% das pessoas que sabem o que é a CPMF responderam que gostam do tributo. Entre os que rejeitam a contribuição, 78% apresentam uma justificativa simples: não gostam da CPMF “porque é mais um imposto”.
Levy e Dilma não se cansam em dar murro em ponta de faca nesse tema. A tentativa de recriar a CPMF já foi rejeitada na última oportunidade em que o assunto foi discutido. Ora, em meio a uma grave crise econômica, pensar que a população “engoliria” um novo tributo beira a ingenuidade. Os brasileiros não admitem essa possibilidade.
Além do cidadão, essa insistência do governo contraria também empresários. A Fiesp, que encomendou a pesquisa, por exemplo, encabeça um movimento nacional contestando a retomada desse imposto.
A sondagem sintetiza o pensamento do brasileiro: a maioria nas pessoas não aceita “mais um imposto”. A carga tributária nacional já prejudica o desenvolvimento do País, além de ser uma das mais pesadas do mundo. Assim, não é de se surpreender que essa ideia de Levy e Dilma seja totalmente rejeitada.
Os governos precisam parar de, nos momentos de dificuldades, propor a saída cômoda de aumentar a tributação. São improvisos e medidas emergenciais adotadas para resolver questões de ineficiência administrativa. O País precisa de uma ampla reforma estrutural, adiada anualmente por falta de coragem de transformar a realidade local.