Enquanto os motoristas não mudarem o comportamento ao volante, o país continuará registrando tragédias no trânsito. Por mais que as regras e as punições aos infratores fiquem mais rígidas, muitos condutores insistem em adotar uma conduta lamentável em ruas e rodovias brasileiras.
No feriadão prolongado de Proclamação da República, encerrado na última terça-feira, um motorista bêbado foi flagrado por hora pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) apenas nas rodovias paranaenses. É algo inaceitável.
Em cinco dias de operação foram flagrados 108 motoristas dirigindo sob o efeito de bebidas alcoólicas, o que corresponde a um flagrante de embriaguez ao volante a cada 66 minutos.
Este foi o primeiro feriado prolongado desde o reajuste das multas de trânsito. A multa por dirigir embriagado, por exemplo, passou de R$ 1.915 para R$ 2.934. Mesmo assim, o número de infrações flagradas aumentou. São irresponsáveis ao volante, que insistem em colocar a própria vida e a de terceiros em risco, dirigindo sob efeito de bebidas alcoólicas.
O que é preciso fazer para acabar com essa prática criminosa nas rodovias brasileiras? Se “doer” no bolso dos motoristas com multas mais altas não basta, qual é a alternativa? Quando o brasileiro adotará uma postura mais respeitosa à legislação ao volante? Afinal, a maioria sabe os riscos de dirigir embriagado. A possibilidade de acidentes graves é imensa nesses casos, mesmo assim essa desinteligência persiste. São, na verdade, criminosos que dirigem bêbados. Talvez, a punição precisa ser ainda mais rigorosa, com cadeia para esses motoristas que insistem nesse tipo de abuso nas ruas e rodovias que cortam o país.
Além da embriaguez ao volante, chama atenção também o número alto de multas por excesso de velocidade. Foram 8.988 imagens capturadas pelos radares da PRF de veículos acima do limite máximo de velocidade apenas em cinco dias de operação. Na última segunda-feira, por exemplo, uma motocicleta foi flagrada a absurdos 205 km/h na BR-277 em Cascavel.
O poder público está ampliando o valor das multas e os órgãos de segurança vêm aumentando a fiscalização. No entanto, somente a mudança de comportamento vai reduzir o número de acidentes e mortes. Não há outro caminho em longo prazo. É preciso mais responsabilidade no trânsito.