Maior operação contra a corrupção da história do Brasil, a Lava Jato carrega também a marca de Apucarana. Um procurador federal e uma delegada da Polícia Federal (PF), nascidos no município, estão entre os responsáveis pelas investigações.
O procurador da República no Paraná, Carlos Fernando dos Santos Lima, e a delegada de Polícia Federal, Erika Mialik Marena, integram a força-tarefa da Lava Jato e têm protagonismo na operação.
É, inegavelmente, motivo de orgulho para Apucarana. A Lava Jato representa um divisor de águas na história brasileira e ter apucaranenses no front de batalha contra esse mal nacional envaidece o município. Pela primeira vez, grandes empresários e políticos foram para cadeia, acusados de corrupção e desvios de recursos.
Historicamente, os crimes de colarinho branco não eram punidos e, pior, os responsáveis por desvios de recursos tinham convicção da impunidade. A Lava Jato, que obteve respaldo nas decisões e liminares do juiz Sérgio Moro, mostrou que é possível fazer diferente. Donos de grandes empreiteiras e até um senador foram detidos. Ou seja, a Lava Jato deixou claro que não importa o tamanho da conta bancária ou o poder em Brasília. Os crimes vão ser combatidos. É a realização de um grande anseio da população.
Cerca de R$ 6 bilhões em recursos públicos desviados foram recuperados durante o período da Lava Jato. É um montante extraordinário e inédito, embora há suspeita de que os crimes envolvendo a Petrobras e outras empresas federais envolvam cifras muito superiores, podendo chegar até a R$ 40 bilhões.
A operação tem um significado histórico e cultural muito grande. Por muitos anos, o brasileiro convivia com a sensação de impunidade entre os ricos e poderosos. Havia, com razão, a frustração de ver políticos sendo inocentados mesmo com grandes indícios de corrupção. O “rouba, mas faz” passou a integrar a cultura política nacional, o que é um absurdo.
A corrupção, é verdade, é um problema endêmico nacional. O brasileiro é corrupto nas pequenas ações do dia a dia, desde furar fila até não pagar estacionamento. É um mal que precisa ser combatido também na raiz, com uma mudança de comportamento dos próprios cidadãos. Não adianta cobrar justiça, mas adotar práticas injustas no cotidiano.
A força-tarefa da Lava Jato, que tem apucaranenses em sua linha de frente, mostra que a corrupção pode ser, sim, combatida. A operação é um exemplo para todo o país.