OPINIÃO

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A polêmica das ocupações de escolas no Paraná

Da Redação

| Edição de 12 de outubro de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Mais de 140 colégios estaduais do Paraná estão ocupados por estudantes. Eles protestam contra a Medida Provisória (MP) 746/2016, que propõe reformas no ensino médio, e também contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241, que prevê limitar os gastos públicos para os próximos 20 anos, aprovada em primeiro turno pela Câmara dos Deputados na última segunda-feira à noite. Em Apucarana, dois colégios estão ocupados: o Nilo Cairo, no centro, e o Godomá Bevilacqua de Oliveira, na Vila Reis.

A mobilização dos estudantes é justa. No entanto, é preciso uma reflexão sobre a exata motivação desses alunos. Caso o protesto tenha realmente relação com a reforma do ensino médio, o movimento tem o seu direito de existir. No entanto, se os atos visam atingir politicamente o governador Beto Richa (PSDB), é algo absolutamente inaceitável.

Richa, inclusive, tem se manifestado de forma firme em relação às ocupações. Segundo o governador, a maioria dos estudantes não sabe porque está protestando. Richa assinala que há uma “doutrinação ideológica” nas escolas, promovida por professores e diretores ligados à APP-Sindicato e também a partidos políticos, como o PT, que visam prejudicar o seu governo.

Os estudantes têm o direito de realizar manifestações e, se não há manipulação, essa voz estudantil é, inclusive, bem-vinda, pois mostra um resgate de uma politização que parecia perdida entres esses jovens.

No entanto, os estudantes não podem adotar uma postura radical e intransigente. Afinal, os governos estaduais terão autonomia em adotar ou não algumas das propostas de reforma do ensino médio anunciadas pela União.

Assim, é preciso que os alunos mostrem nesse momento que têm um posicionamento claro em relação ao assunto, afastando definitivamente a suspeita de “doutrinação ideológica”, colocando na mesa de negociações as suas sugestões.

Isso será possível já na próxima quinta-feira, quando os núcleos regionais de educação vão realizar reuniões em todo Paraná com professores e estudantes para debater a proposta de reforma. É a hora de mostrar às autoridades qual é o ensino médio que querem, até mesmo para que essas ocupações não sejam em vão e para que não digam que os adolescentes foram marionetes de sindicatos e partidos políticos. Caso não participem ativamente dessas discussões, o movimento perderá a sua legitimidade.