Na contramão da crise que assola o país e vem extinguindo vagas em vários setores produtivos, um pelo menos encerrou 2015 com saldo positivo de vagas formais. Novamente, pelo menos no Estado do Paraná, a notícia boa veio do campo. No ano passado, o estado alcançou o maior patamar na geração de empregos formais dos últimos cinco anos.
No Vale do Ivaí, na maioria das microrregiões não foi diferente. Em um ano que o mau desempenho da economia se refletiu em demissões e enxugamento de quadros de produção em vários setores, notamente indústria e comércio, a agropecuária conseguiu criar novas vagas na área de Apucarana e Faxinal. Ótimo desempenho tendo em vista que, no geral, a região perdeu mais de 5 mil postos formais de trabalho no ano passado.
Os números só confirmam uma tendência que se fortalece há décadas no estado, que mistura aptidão natural para agricultura com melhoria constante de produtividade. É a profissionalização do campo. A criação de vagas formais – ou seja, com carteira assinada – é reflexo desse quadro. O campo tem sido a melhor indústria do estado.
No Vale do Ivaí, não é pequeno o número de trabalhadores que segue de suas cidades diariamente para trabalhar em agroindústrias de outras cidades, como os frigoríficos de Rolândia e Mandaguari. O complexo da cana, e mais recentemente do frango de corte, é oportunidade de trabalho que muitas vezes os municípios menores não tem.
O fortalecimento da avicultura é um fenômeno que está mudando o perfil regional. Em Apucarana, a atividade já responde por 37% do Valor Bruto de Produção Agrícola (VBP) apucaranense e gerou, em 2014, mais de R$ 86 milhões. No município, a prefeitura vem investindo em incentivos para manter o setor aquecido e em expansão.
Na outra ponta do Vale, em Ivaiporã, um novo complexo industrial está prestes a ser implantado com investimento previsto de R$ 60 milhões para implantação de uma fábrica de ração e abatedouro de aves com incentivo da prefeitura. O empreendimento deve abrir ainda mais o leque de atuação do setor na região.
Com um horizonte econômico cada vez mais incerto, fortalecer o campo é fundamental nesse momento. É dali que pode sair a resposta para a crise.
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