OPINIÃO

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A saída traumática do impeachment

Tribuna do Norte

| Edição de 04 de dezembro de 2015 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Está deflagrado o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) no Congresso. Como retaliação ao PT, que decidiu votar contra ele no Conselho de Ética, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), aceitou denúncia formulada por juristas e iniciou os trâmites que podem provocar a saída de Dilma do cargo.

Como ironia do destino para este governo, atolado em denúncias de corrupção, coube a um político denunciado na Operação Lava Jato a tarefa de autorizar o processo de impeachment. Cunha é acusado de corrupção e de receber propina. Além disso, o peemedebista também mentiu descaradamente na CPI da Petrobras, ao negar que tinha contas na Suíça.

Esse cenário de chantagem e retaliação mostra o nível baixo da política nacional. Um governo destroçado pela corrupção e pela incapacidade administrativa da sua líder está nas mãos de um parlamentar de conduta suspeitíssima. É um retrato terrível do Brasil atual, que está completamente paralisado, com a economia à deriva e o caos social iminente com o desemprego batendo recordes a cada mês.

Independente de quem iniciou o trâmite do impeachment, o processo em curso na Câmara Federal precisa ser encarado como uma oportunidade de dar um ponto final a esse impasse entre Executivo e Legislativo, que tem travado totalmente o País. Que se decida de uma vez sobre o assunto, ou se renove a legitimidade de Dilma e dê a petista uma condição mínima de governabilidade ou que se defina de vez pela saída da presidente. O País não pode mais assistir a essa disputa política enquanto definha.

É hora de avaliar se vale mesmo a pena manter a petista no governo diante de todo esse quadro. Os sinais atuais mostram que não. O Brasil está completamente paralisado. É preciso um fôlego novo para fazer o País voltar a andar para frente. A presidente Dilma Rousseff já deu mostras de que não tem essa capacidade. Caso o impeachment seja negado, certamente, ela não vai conseguir reunificar politicamente a nação, pois lhe falta habilidade de articulação. Os seus discursos caóticos e sua postura dura desagregam. Falta a petista talento político, algo essencial para um presidente. Cabe agora ao Legislativo discernimento para escolher o que é melhor para o Brasil.