OPINIÃO

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A sinecura dos imorais

Por Thiago Zardo, escritor em Apucarana

| Edição de 24 de março de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Que o povo não sabe escolher não é novidade nenhuma. Foi só Pôncio Pilatos lavar as mãos e o povo inocentou um assassino para condenar Jesus. Que o povo tem memória curta também ninguém duvida. Tanto é verdade que a maioria nem se lembra em quem votou na última eleição. E se não lembra nem em quem votou, imagina se lembra qual o plano de governo de seu candidato? E é justamente por isso que a corrupção e a impunidade, filhas da amnésia política do povo brasileiro, caminham de mãos dadas. 

E por isso mesmo todo ano esses assassinos criminosos protegidos pela lei do foro privilegiado saqueiam dos cofres públicos o montante de aproximadamente duzentos bilhões de reais por ano, o que daria para sustentar o Uruguai por quatro anos ou para triplicar a verba da saúde do país, ou construir mais de vinte milhões de casas populares por ano. Ou ainda bancar o programa Bolsa Família por oito anos. Mas esses exploradores medíocres e ladrões, urubus sociais não roubam apenas os cofres públicos, esses parasitas carniceiros acabam roubando o futuro, a saúde, a educação e até os sonhos de toda uma nação, porque essas ações ilegais consomem um total de 2,3 % de todo o produto interno bruto do Brasil. É como uma torneira vazando dia e noite que de pingo em pingo, além de esvaziar toda a caixa d’água, ainda aumenta consideravelmente a conta paga no final do mês.
Corrupção e impunidade, eis o grande mal do Brasil, o verdadeiro moto perpétuo da desgraça verde-amarela que sustenta vaidades soberbas e mordomias luxuosas desses exploradores do poder. O STF, por exemplo, possui um orçamento de mais de 500 milhões de reais por ano e pra quê? 25 bombeiros civis, 19 jornalistas, 293 vigilantes, 24 copeiros, 27 garçons, 58 motoristas, 8 auxiliares de saúde bucal! 116 serventes de limpeza! Tudo isso pra onze ministros!? E pra quê? Soltar os presos da lava-jato?
E os deputados? Mais de trinta e três mil reais por mês de salário, fora os auxílios: verba pra roupas, pra alimentação, pra moradia, viagem de avião, tratamento de estética, verba indenizatória, combustível, motorista, cartão corporativo sem limites de crédito... Chegando ao absurdo de custar mais de um milhão e meio de reais por ano cada parlamentar. Fora as propinas. O Brasil possui os políticos mais caros do planeta! Enquanto o brasileiro trabalha em média 221 dias por ano, a média dos parlamentares é de 120 dias. E pra quê? Legislar em causa própria?
Corrupção e impunidade, certamente esses dois problemas, filhos da amnésia política do povão, formam um ciclo vicioso tão trágico e perpétuo que praticamente se torna insolucionável, pois quanto maior a impunidade, maior a corrupção e, consequentemente, quanto maior a corrupção, maior a impunidade.
Ah, como seria bom se os fatos simplesmente deixassem de existir se apenas os ignorássemos! Mas as coisas não funcionam assim, não é colocando o termômetro dentro da geladeira que se baixa a febre. Nem simplesmente lavando as mãos como Pilatos.
Que a justiça está cada vez mais cega, o governo cada vez mais surdo e o povo cada vez mais mudo, ninguém duvida, mas o problema da amnésia coletiva há que ser levado muito a sério.
Aliá, caro leitor, você se recorda em quem votou na última eleição?