Relatório oficial da Secretaria de Segurança Pública (Sesp) nesta semana traz um dado preocupante para a região. O número de homicídios dolosos, aqueles onde há intenção de matar, aumentou 92% no ano passado na área da 17ª Subdivisão Policial (SDP), que compreende. Foram 48 vítimas contra 25 crimes no ano anterior.
O número de vítimas se iguala ao do ano de 2011 e quebra um ciclo de redução da violência no Vale do Ivaí. No ano que passou, o que chamou atenção foi o aumento da criminalidade nos municípios menores. Apucarana, cidade sede da 17ª SDP e a maior do Vale registrou 12 crimes em 2015 contra 9 no ano anterior. Apesar do aumento, o percentual de homicídios na soma total da região diminuiu. Em 2015, 25% dos homicídios da região aconteceram em Apucarana. No ano anterior o índice foi bem maior, 32%.
Outro sinal que a coisa não vai bem nos municípios menores. No ano que passou foram registrados homicídios em 16 dos 26 municípios do Vale do Ivaí. Em 2014, apenas 10 registraram esse tipo de ocorrências.
A argumentação da Polícia Civil é que Apucarana está abaixo do índice considerado aceitável pela ONU de 10 homicídios para cada grupo de 100 mil habitantes. A mesma realidade, entretanto, está longe de se repetir em Mauá da Serra, por exemplo. Com pouco mais de 8,5 mil habitantes, a cidade registrou seis homicídios no ano passado, um índice de mais de 70 mortes por 100 mil habitantes. Seguindo o mesmo raciocínio, outras cidades com alto registro de casos são Marilândia do Sul (5), Faxinal (4) e Jardim Alegre (4).
É fato que homicídios não são crime de fácil prevenção. Nas cidades menores, sabe-se que boa parte das mortes – ao contrário dos centros maiores – não está diretamente relacionada a outras atividades criminosas. Vários fatores influenciam a violência: abuso de álcool, violência doméstica, ambiente desagregador, enfim, a lista é grande.
Vale dizer que a tarefa de prevenir e discutir a violência não é apenas da polícia. Longe disso, é preciso um esforço conjunto para descobrir e combater as causas da criminalidade. Os números mostraram o problema, resta agora combatê-los.