A imprudência é apontada como a principal causa de acidentes de trânsito no país. E o excesso de velocidade é o maior exemplo dessa imprudência que mata e fere milhares de brasileiros anualmente. Reportagem publicada ontem pela Tribuna mostra que essa infração responde por 38% de todas as multas aplicadas nas rodovias federais que cortam a região no primeiro semestre. É um dado alarmante, que precisa gerar reflexão sobre os riscos assumidos pelos motoristas ao volante.
Das 3.693 multas aplicadas no semestre, 1.418 foram por excesso de velocidade. É um número alto. A maioria dos casos na nossa região foi registrada no Distrito de Aricanduva, em Arapongas. No local, placas indicativas apontam o limite de velocidade. No entanto, muitos condutores insistem em não respeitar a sinalização, colocando em risco os moradores daquela localidade, que precisam, em algumas situações, atravessar a pista.
O Distrito de Aricanduva, de fato, é um bom exemplo do mau comportamento. No local, o limite de velocidade é de 60 km/h. Quem respeita e diminui a velocidade, sofre uma pressão dos outros motoristas. Ou seja, quem dirige de forma consciente e dentro da legislação precisa conviver com buzinas e setas piscando para que abra passagem ou acelere da mesma forma. É um absurdo.
Por outro lado, houve uma significativa redução de multas neste semestre, o que é algo positivo. No mesmo período do ano passado, foram 6.880, o que representa uma queda de 46% no total. Mesmo assim, o número de infrações cometidas ainda é muito grande e gera preocupação.
O trânsito é letal no Brasil. O cidadão precisa ter essa consciência de uma vez por todas e adotar uma postura mais responsável ao volante, na condução de motocicletas ou mesmo como pedestre. É preciso bater nessa tecla, de conscientização no trânsito, caso contrário os acidentes continuarão se repetindo. Enquanto esse discurso não for transportado para a prática, respeitando os limites de velocidade nas nossas rodovias, por exemplo, continuaremos assistindo a tragédias e secando as lágrimas de familiares de vítimas.
Além da conscientização, a fiscalização deve continuar sendo rigorosa. As multas são um caminho mais duro para essa conscientização. Reduzir os acidentes de trânsito precisa ser uma obsessão das autoridades e de toda a sociedade brasileira.