Por Irineu Berestinas, de Arapongas
Estão localizadas nos EUA. A partir de 1975 surgiram sete agências de avaliação de risco. No início dos anos 80, resultaram apenas três, pelas fusões realizadas, quais sejam, Standard e Poor’s, Moody’s e Fitch. Operam segundo as regras da Securittes and Exchange Commission (Comissão de Valores Mobiliários - SEC), que regula o mercado de capitais, equivalente à Comissão de Valores Mobiliários aqui no Brasil, e detém o monopólio regulatório, criado pelo governo americano.
Grandes bancos e fundos de pensão trabalham sob restrições e os seus investimentos passam pela peneira dessas agências. A intenção é controlar o risco em suas aplicações. As suas notas de crédito influenciam compulsoriamente na alocação de recursos por parte das entidades mencionadas.
Diante disso, é interessante perguntar: quais as implicações que poderiam ter em nosso País, se for decretada a perda do grau de investimento?
Se isso ocorrer, a economia, já enfraquecida, orientada por situações explosivas, ainda teria que deparar-se com a elevação de todos os custos internacionais, e os capitais de fora, já de há muito escassos entre nós, seriam obrigados a considerar essa resolução das agências avaliadoras de risco em seus investimentos e posições.
Ora, se vivemos sob uma crônica deficiência de poupança e de capitais, como iríamos enfrentar uma barra tão pesada assim? Não podemos perder de vista que são, ao lado da produtividade e do avanço tecnológico, o mais consistente motor do crescimento.
Para entendermos toda a extensão do problema, é preciso dizer: quando as agências colocam a perspectiva negativa para um país, é um sinal inequívoco de que, se não forem alteradas as condições da sua economia, será retirado o grau de investimento. Já atingimos esse patamar.
A verdade é que, enquanto não cessar a obsessão da diretriz ideológica na governança (que faz a República balançar), amparada logisticamente pelo presidencialismo de coalizão, não haverá luz no fim do túnel (hoje a base de apoio está em frangalhos, e a pauta do Congresso é organizada pela crise que se instalou, indicando que novos rumos devem ser partilhados, penso que o Parlamentarismo é a solução).
E, se não se efetivarem atos concretos, tais como, redução do número de ministérios e dos cargos comissionados, dos repasses de dinheiro público para ONGs e centrais sindicais sintonizadas com esses objetivos ideológicos, só estaremos gerando descrença e apreensão nos investidores. Confiança se consegue com boas práticas, não com contornos estratégicos para ganhar tempo...
Já, de outro lado, combater a inflação exige atuação em várias frentes: acerto das contas públicas, sintonia dos salários com a produtividade, política monetária restritiva, tendo presente que esse fatores estão sobrecarregados, pois não temos mais como contar com moeda valorizada em seu auxílio, porque, sob a sua vigência prolongada, criamos embaraços insuportáveis ao setor industrial, em vista de o câmbio ter sido utilizado quase solitariamente no combate à inflação nesses últimos anos, gerando parte significativa das distorções com as quais estamos convivendo. A inflação, embora acima da meta, foi contida artificialmente, no mandato anterior, pela manipulação de dois expedientes: câmbio valorizado e congelamento do preço dos combustíveis, das tarifas de água e energia.
Unir a Nação em torno de uma pauta de reconstrução é absolutamente necessário para não abicarmos do grau de civilização, que, passo a passo, historicamente, estávamos construindo, principalmente na área econômica.