Os países de primeiro mundo primam pelos investimentos em saneamento básico. Ao garantir água tratada e redes coletoras de esgoto à população, essas nações desenvolvidas reduzem os gastos na área de saúde pública. Infelizmente, o Brasil ainda está longe de atingir um patamar aceitável em saneamento básico. É um problema seríssimo e conhecido, mas que está longe de ser encarado de frente.
O Vale do Ivaí, por exemplo, está atrasado no que tange à coleta e tratamento de esgoto. Dos 26 municípios que integram a Associação dos Municípios do Vale do Ivaí (Amuvi), 19 não têm rede de esgoto, o que corresponde a 74%. Apenas Apucarana, com 81% de cobertura, conseguiu atingir a meta proposta pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para Saneamento, que é de 75% da população atendida até o ano passado.
De modo geral, falta vontade política para mudar esse quadro no País. As obras de saneamento não garantem votos. Os tubos coletores de esgoto ficam enterrados e não garantem a visibilidade que muitos políticos esperam quando investem milhões em projetos. Assim, essas obras fundamentais para a qualidade de vida das pessoas acabam ficando em segundo plano.
Segundo especialistas, a falta de investimento em saneamento básico representa graves riscos à saúde pública. Essa carência é responsável pela proliferação de doenças, como dengue, zika vírus e chikungunya, que são transmitidas pelo mosquito Aedes Aegypti, além de diarreias e infecções intestinais.
É fundamental reverter esse quadro. Para isso, as prefeituras precisam negociar com a Sanepar e cobrar maior agilidade nesses investimentos. Os municípios poderiam economizar grandes somas de recursos que hoje são aplicadas na saúde pública. O principal problema são as diarreias e infecções intestinais, que provocam inúmeros internamentos.
Falta compreensão aos agentes públicos sobre a importância dessas obras. São investimentos que podem, sim, marcar uma gestão, pois vão transformar a realidade dos municípios. É inaceitável que o Brasil esteja tão atrasado assim nessa questão de saneamento básico. É urgente mudar essa realidade nacional.