O envolvimento de menores de idade no tráfico de drogas está preocupando as autoridades de Apucarana. Há adolescentes apreendidos em quase todas ocorrências envolvendo venda e consumo de entorpecentes na cidade. Outro dado alarmante é o avanço da cocaína. O número de apreensões disparou na cidade, mostrando uma mudança de perfil na comercialização e também entre os usuários. Juntamente com o crack, a cocaína passou a ser uma das drogas mais consumidas na cidade, o que preocupa as autoridades diante dos riscos para os dependentes.
Até pouco tempo, a cocaína era considerada um entorpecente de pessoas mais abastadas financeiramente. A “popularização” está ligada muito à redução do preço e a falta de qualidade do produto ofertado pelos traficantes. Segundo a Polícia Civil, um pino custava até R$ 80. Hoje, é comercializado entre R$ 30 e R$ 40.
A polícia tem percebido a presença da cocaína nas chamadas “biqueiras”, que são pontos de drogas, que antes se dedicavam a venda de maconha e depois de crack. Chama atenção também a participação de menores. Como não há vagas em Centros de Socioeducação (Cense), a maioria dos detidos é liberada e volta a agir nas ruas, sob orientação de traficantes. Os adultos, percebendo a impunidade, têm cooptado muitos menores para realizar o trabalho de venda no varejo. A polícia apreende esses garotos e garotas, mas eles são libertados em seguida. Assim, é como “enxugar gelo”.
Segundo a polícia, um mesmo adolescente foi apreendido neste ano cinco vezes por tráfico de drogas em um intervalo de 15 dias. Mesmo com a reincidência, foi liberado porque o Judiciário não encontrou vaga de internamento.
A questão das drogas é complexa. É inegável que a maioria dos adolescentes envolvidos enfrenta problemas sociais. São famílias desestruturadas, com graves dificuldades financeiros e de formação. No entanto, a impunidade é um desserviço e prejudica o trabalho dos policiais.
A apreensão de cocaína disparou na cidade, aumentando 370% no primeiro trimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2016. Na maioria dos casos, são apreendidos pinos com traficantes ou em “bocas” na periferia da cidade.
A situação merece uma reflexão das autoridades de segurança pública e de antidrogas. É preciso encontrar alternativas de combater o tráfico e reduzir o número de menores envolvidos. É uma geração de traficantes que estamos formando - e isso é inaceitável.
O primeiro passo é acabar com a impunidade. Esses menores precisam passar por internamento. Não podem ficar nas ruas livremente, estimulando que traficantes cooptem ainda mais menores para suas ações delituosas.