OPINIÃO

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Brasil precisa pensar em outras reformas

Da redação

| Edição de 08 de abril de 2017 | Atualizado em 07 de abril de 2017

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Anteontem, um novo protesto do Sindicato dos Bancários fechou uma agência em Apucarana. O alvo da vez foi a unidade do Santander da Praça Rui Barbosa. O motivo: mais uma onda de demissões. Sete dos quinze funcionários da agência foram desligados, afirma o sindicato, que denunciou novamente a política de metas desproporcional exigida pelos bancos.
Este não foi o primeiro  - nem o último - protesto dos sindicalistas na tentativa de chamar atenção da população para as condições de trabalho dos bancários e para os processos de demissão do setor. Manifestações semelhantes já foram feitas no Itaú, que fechou uma das agências na cidade, e Bradesco, para citar as mais recentes.

As relações de trabalho estão entre os temas em xeque no Brasil. A recente aprovação, sob protestos do movimento sindical, das mudanças nas regras da terceirização é apenas parte de uma discussão que continua a se desenhar no horizonte de reformas propostas pelo governo federal. 
Em um momento de crise, de queda de consumo e produção, de índices preocupantes de desemprego, a premissa de mudanças - a famosa flexibilização trabalhista - e a consequente redução de direitos que isso implica parecem ter virado a nova tábua de salvação da economia brasileira. 

É fato que há muito o que discutir na legislação que envolve as relações de trabalho. A CLT é antiquada e não evoluiu da mesma forma que as legislações referentes, por exemplo, às questões de família. Até a legislação criminal tem maiores atualizações que a trabalhista.
Contudo, apostar fichas na flexibilização como promessa de retomada de crescimento econômico é um projeto que não se sustenta. O Brasil precisa de reformas. Isso é fato, mas ‘o olhar reformador’, até agora, vem selecionando alvos de forma desigual - vejam as propostas da Reforma da Previdência e o fracasso da Reforma Política. 

Um bom exemplo é exatamente o setor bancário, um dos poucos a passar pela crise sem entrar no vermelho. Apesar da redução da margem de lucro, os quatro maiores bancos do país - Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco e Santander - fecharam o ano passado com lucro líquido de R$ 50,29 bilhões.

De outro lado, o Brasil tem uma das maiores taxas de juros bancários do mundo, fator que nunca é discutido. Pagar juro alto e altas taxas para um serviço cada vez pior parece ser uma carma incontestável do dia a dia do brasileiro. A política de cortar funcionários, reduzir agências e automatizar serviços traz vantagens para quem? Para o usuário,  certamente não. Uma reforma bancária, por exemplo, viria bem a calhar.