OPINIÃO

min de leitura - #

Calote de ex-prefeitos na conta de água

Tribuna do Norte

| Edição de 22 de outubro de 2015 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.

O prefeito de Apucarana, Beto Preto (PT), bate exaustivamente na tecla da “herança maldita” recebida das administrações passadas, especialmente de João Carlos de Oliveira (PTB) e Valter Aparecido Pegorer (PMDB). Não há como não se indignar, de fato. Nesta semana, Beto Preto revelou uma dívida de cerca de R$ 1,6 milhão com a Sanepar. João Carlos e Pegorer, simplesmente, não pagaram contas de água de prédios públicos em parte de seus mandatos, gerando um passivo gigantesco para a gestão do petista. Algo absolutamente irresponsável.

São R$ 783 mil devidos na gestão de Pegorer nos anos de 2004, 2007 e 2008 e R$ 626 mil na administração de João Carlos nos anos de 2009, 2010 e 2011. A inadimplência foi parcelada. Da dívida deixada por Pegorer, o município pagará 90 parcelas de R$ 10.835,21, gerando um prejuízo adicional ao município no valor de R$ 191 mil, decorrente de juros e multas. Já no caso do parcelamento pela inadimplência do ex-prefeito João Carlos de Oliveira, o prejuízo do município foi acrescido em R$ 59 mil em juros e multas. O parcelamento foi feito em 36 parcelas de R$ 19 mil.

A atual gestão tenta contornar a situação e renegociar as pendências com a Sanepar. Nesta semana, Beto Preto discutiu o assunto com um diretor da empresa e dois gerentes regionais.

A dívida com a companhia de saneamento soma-se a várias outras deixadas por gestões passadas e que estão tendo que ser pagas agora. O prejuízo é grande para a atual administração, que poderia aplicar esses recursos em obras e programas voltados à população.

É inaceitável que os ex-gestores tenham deixado de pagar despesas corriqueiras da administração, como é o caso da conta de água. É uma transferência inaceitável de responsabilidade para o próximo gestor. A atual administração faz bem ao encaminhar o caso para a Justiça, que precisa responsabilizar os autores desse prejuízo ao erário municipal.

Os gestores devem responder pelas despesas criadas em suas administrações. É o que diz a Lei de Responsabilidade Fiscal. No entanto, Apucarana serve de exemplo de como não deve ser feito. As dívidas herdadas se acumulam, gerando prejuízos ao município e travando investimentos importantes.