A Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju) confirmou para o primeiro semestre do ano que vem a licitação e previsão de início das obras do Centro de Socioeducação (Cense), de Apucarana.
A construção de uma unidade para abrigar jovens em conflito com a lei tanto no cumprimento de medida socioeducativa quanto na apreensão temporário é uma bandeira que há anos vem sendo defendida pelo Judiciário, Conselho Tutelar, autoridades de segurança pública e a comunidade em geral. Anunciado há quatro anos, o Cense de Apucarana chega para suprir uma enorme demanda nesta área em toda região.
Um levantamento feito no ano passado pela Tribuna apontou que de cada dez adolescentes que cometiam um ato infracional grave na Comarca de Apucarana, que a Vara da Infância e Juventude entendia que era necessária internação, apenas um era internado em alguma unidade do Estado. Na região, os Censes mais próximos estão Londrina e Maringá, municípios que também geram uma enorme demanda de vagas.
Em todo Estado são 27 Censes, sendo oito casas de semiliberdade. Assim como ocorre na questão prisional, a demanda cresce a cada dia.
Segundo dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp), divulgados a pedido da Tribuna, o número de adolescentes apreendidos entre janeiro e agosto de 2017 aumentou 62% em comparação ao mesmo período do ano passado em Apucarana.
Foram 292 adolescentes apreendidos contra 180 durante o mesmo período do ano passado. A maior parte das apreensões está relacionada ao uso ou tráfico de drogas. Para cumprir o que determina do Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), a maioria desses adolescentes apreendidos simplesmente volta para casa e para ruas após período de cinco dias de apreensão temporária por falta de vagas.
Quebrar o ciclo de apreensão e soltura, sem que o estado oferte meios concretos de recuperação dos jovens neste intervalo - o que só aumenta a sensação de impunidade e insegurança - , está entre os principais desafios das políticas públicas de segurança. Menores infratores precisam ter acesso à medidas socioeducativas, tanto como forma de fazer justiça quanto como medida de prevenção de criminalidade. Pena, é sempre bom lembrar, é também um instrumento de recuperação do infrator da lei.
A unidade do Cense de Apucarana, cujo projeto prevê a abertura de 60 vagas, vai ajudar a suprir um pouco desta demanda. Certamente, entretanto, novos investimentos serão necessários para romper o crescente ciclo de violência juvenil.
OPINIÃO
MAIS LIDAS
-
Cidades
03/08Empresário de Rolândia (PR) é primeiro ganhador do prêmio de R$ 1 milhão da Poupança Premiada Sicredi
-
Geral
31/10Pesquisa sugere criação de presídio para idosos no Rio
-
Economia
10/03Indústria de alimentos e bebidas cresceu 8% em 2025, diz Abia
-
Esporte
02/02Willian Kibor e Núbia de Oliveira vencem a Prova 28 de Janeiro
-
Política
21/03Decreto institui cotas raciais em 30% dos cargos de confiança