OPINIÃO

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Como vencer a batalha contra o mosquito

Da Redação

| Edição de 12 de fevereiro de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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O Ministério da Saúde confirmou ontem a terceira morte pelo vírus zika no Brasil. A doença faz parte da tríade que vem assustando os brasileiros neste verão e é formada pela já conhecida dengue e a chikungunya. Em comum, as três tem como vetor o mosquito Aedes aegypti, um antigo adversário da saúde pública no Brasil.
Um adversário que já foi vencido pelo menos duas vezes. O mosquito, e consequentemente a dengue, já foi varrido de todo território nacional. No início do século passado, em resposta a epidemia de febre amarela – doença também transmitida pelo mosquito – o sanitarista Oswaldo Cruz liderou uma campanha agressiva que chegava a invadir propriedades a força para eliminar o inseto. Em 1958, a OMS considerou oficialmente o Brasil livre do mosquito, que voltou a entrar no país na década de 1960, foi novamente erradicado, mas retornou na década de 1980. Dessa data em diante, o Brasil vem perdendo vergonhosamente a batalha contra o Aedes.
O que se questiona hoje é porque é tão difícil conseguir repetir o sucesso do passado? A adaptação do mosquito a novos climas, o maior nível de urbanização do país, um certo relaxamento das autoridades de saúde no passado, e a falta de uma mobilização mundial – na década de 50 houve uma campanha global contra o mosquito – costumam ser apontados pelos especialistas como resposta a esse enigma. O rápido alastramento do vírus zika e a relação deste com a microcefalia, inclusive, fez a OMS declaração situação de emergência pública internacional para reforçar as ações de combate ao vírus.
De outro lado, todos os especialistas em saúde pública concordam em um ponto: é preciso um forte apelo social para forçar o engajamento da sociedade no combate ao foco do mosquito.
Como bem argumentaram os vereadores de Apucarana na sessão extraordinária de anteontem, é preciso rigor nas ações de fiscalização de imóveis baldios, mas não apenas só isso. Os moradores precisam aderir e tomar frente às ações. Em outro lado, é preciso urgentemente discutir e melhorar as condições sanitárias do Brasil – tema aliás da Campanha da Fraternidade deste ano da CNBB. Só atuando em muitas frentes é possível derrotar o mosquito.