OPINIÃO

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Confronto entre STF e MPF não pode afetar a Lava Jato

Da Redação

| Edição de 05 de maio de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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A Operação Lava Jato quebrou paradigmas no país ao mandar para cadeia, pela primeira vez, políticos e grandes empresários acusados de corrupção e desvios de recursos públicos. Por isso, preocupa a sociedade o confronto público entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Ministério Público Federal (MPF), de Curitiba, responsável pelas investigações. 

As divergências entre o STF e MPF ganharam evidência na última terça-feira, quando o Supremo decidiu libertar o ex-ministro José Dirceu, alvo de uma série de denúncias no âmbito da Lava Jato. Evidentemente, a decisão provocou grande descontentamento entre procuradores federais da capital paranaense, onde fica o coração da operação. 

O embate mais acalorado envolveu o ministro Gilmar Mendes, que deu o voto de desempate para libertar José Dirceu no STF, e o procurador Deltan Dallagnol, um dos principais nomes da força-tarefa do MPF. Gilmar Mendes classificou seu voto como “histórico”. Ele criticou o fato de o MPF, no dia do julgamento de José Dirceu, apresentar uma nova denúncia contra o petista. Para o ministro do STF, a intenção da Lava Jato foi pressionar o Supremo. Para Gilmar Mendes, essa estratégia foi uma "brincadeira juvenil" feita por "jovens que não tiveram vivência institucional".

Deltan Dallagnol reagiu e classificou a decisão do STF de “incoerente”. Ele citou outros três casos de prisões preventivas em que os três ministros que votaram a favor da saída de Dirceu, naquelas oportunidades, foram contrários à libertação dos réus. Desses casos, dois eram denúncias de corrupção e outro de tráfico de drogas, em que o réu, segundo o resumo descrito pelo procurador, foi detido pela polícia com cerca de 150 gramas de drogas, entre maconha e cocaína.

Essa polêmica vai contra ao desejo da maioria da população brasileira. A Lava Jato precisa continuar seu trabalho e não pode, de forma alguma, ter sua atuação prejudicada, ainda mais pela mais alta corte do país. 

Ainda é cedo para analisar as consequências da soltura do ex-ministro José Dirceu, uma figura emblemática nas denúncias de corrupção. No entanto, é claro que a Operação Lava Jato não pode ser atingida. A população quer a manutenção do combate à corrupção e um confronto entre ministros do Supremo e procuradores do MPF apenas prejudica esse trabalho hercúleo de combater os desvios de recursos públicos que sangram o Brasil há décadas.