A linha férrea corta Apucarana e Arapongas, trazendo riscos para a população das duas cidades. A convivência dos moradores com os trens provoca discussões e debates há décadas sem que uma solução definitiva seja encontrada. É um imenso desafio, na verdade, que só pode ser vencido com projetos milionários, praticamente inviáveis para os municípios, ainda mais em tempos de crise econômica.
Na última sexta-feira, integrantes do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR) promoveram uma fiscalização em Arapongas. Segundo o Crea-PR, a cidade lidera em acidentes na linha férrea no Paraná. Foram seis colisões entre trens e automóveis desde 2012, superando Curitiba, Ponta Grossa, Maringá, Cornélio Procópio e Goioxim.
Em dezembro do ano passado e em março deste ano, dois acidentes envolvendo caminhões e carretas chamaram atenção no Parque Industrial da cidade. Por sorte, ninguém ficou gravemente ferido. No entanto, as colisões chamaram atenção para o problema na cidade, principalmente pelas deficiências estruturais.
Em Arapongas, segundo o Crea-PR, não há problemas com falta de visibilidade para os motoristas, mas, sim, falhas graves de sinalização na maioria dos cruzamentos, sem contar a ausência de cancelas.
Em Apucarana, a convivência com a ferrovia também é um problema. Além dos acidentes, há os riscos diários decorrentes da falta de sinalização e de cancelas, sem contar o mato alto que cobre às margens da linha férrea. Esse problema, inclusive, já rendeu muitas críticas à Rumo, concessionária responsável, na Câmara de Vereadores.
O município, inclusive, chegou a encomendar um amplo projeto para retirar a linha férrea do perímetro urbano, com a construção de um contorno. O assunto, porém, até hoje não saiu do papel por conta do custo alto, inicialmente estimado em R$ 130 milhões, mas que hoje está muito acima dessas cifras. Esse valor praticamente inviabiliza esse projeto, embora oficialmente o plano não tenha sido engavetado.
A questão da linha férrea, portanto, se mostra como um desafio que precisa ser encarado tanto em Apucarana quanto em Arapongas. É necessário buscar alternativas para aumentar a segurança na travessia para motoristas e também pedestres. A empresa responsável também precisa fazer a sua parte.