O Rio de Janeiro está falido. É o estado brasileiro em pior situação financeira, com salários atrasados do funcionalismo e dos aposentados. O caos, no entanto, não é uma simples coincidência, mas reflexo da corrupção que levou para cadeia o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB) e também o empresário Eike Batista, que ontem desembarcou dos Estados Unidos. Cabral e Eike, em um dado momento da história recente do Rio de Janeiro, chegaram a ser considerados modelos e exemplos de arrojo na política e nos negócios, respectivamente. Hoje, está comprovado que ambos representaram uma grande farsa, no qual o cidadão fluminense foi o principal afetado.
Não há dúvidas de que a corrupção é um dos motivos do Rio de Janeiro ter decretado calamidade pública. A crise financeira está inviabilizando a gestão de Luiz Fernando Pezão (PMDB), sucessor de Cabral, que vem sofrendo com protestos e tenta aprovar, a todo custo, medidas de austeridade.
O custo da corrupção foi altíssimo. As somas de recursos desviados por Cabral assombram enquanto o Estado não tem dinheiro para pagar os aposentados, que estão vivendo em petição de miséria. É um escárnio ao servidor público fluminense. Segundo as denúncias feitas pelo Ministério Público (MP), foram desviados pelo menos R$ 340 milhões para contas do exterior.
São cifras astronômicas envolvidas. Chama atenção a organização criminosa comandada por Cabral. O esquema envolvia tanto dinheiro que o ex-governador comprava ouro e diamantes como forma de ocultar o crime. Em alguns casos, no entanto, o dinheiro vivo foi colocado em salas no Rio de Janeiro. Tudo isso ocorria enquanto o Estado entrava numa crise econômica sem precedentes.
Eike Batista ajudou Cabral a ocultar 16,5 milhões de dólares no exterior. A situação do empresário merece um capítulo à parte nesse escândalo. De sétimo homem mais rico do mundo, ele passou a foragido internacional. Acabou se entregando ontem, mas é um símbolo de um país que vendeu a imagem de sucesso, principalmente nos governos Lula e Dilma, mas que não se sustentou. Eike montou um castelo de areia que ruiu completamente, mostrando a sua verdadeira face nos negócios.
O empresário chegou a ser apresentado como um herói nacional, como símbolo de um país que deu certo. No entanto, seus investimentos não passavam de especulações, que deram enormes prejuízos a centenas de acionistas que embarcaram nessa aventura.
A Justiça deve dar uma resposta à sociedade brasileira e do Rio de Janeiro. Cabral precisa ser condenado a devolver os recursos desviados e também a ficar muitos anos preso. O Estado chegou ao fundo do poço em suas finanças muito também por conta desse atitude criminosa do ex-governador, uma figura importante na política local que não se constrangeu em desviar milhões e milhões de recursos públicos.