OPINIÃO

min de leitura - #

Defasagem de efetivo é desafio na segurança

Da Redação

| Edição de 30 de maio de 2017 | Atualizado em 29 de maio de 2017

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.

Apesar das dificuldades financeiras, o governo Beto Richa (PSDB) reforçou consideravelmente o efetivo das polícias Civil e Militar nos últimos anos. Foram três mil novos policiais militares e outros dois mil policiais civis contratados. No entanto, a defasagem do contingente de segurança pública ainda é muito grande no Paraná, reflexo da falta de contratações em mandatos anteriores. Com isso, a conta da segurança pública não fecha no Estado, com carência em muitos municípios, principalmente do interior. 

No último domingo, a Tribuna trouxe reportagem mostrando o problema na Polícia Civil. O déficit, que atinge desde delegados até agentes de operações, afeta o trabalho de investigação. 

O Estado deveria ter, por exemplo, 1,4 mil escrivães, mas conta atualmente com apenas 703 em atividade. No Vale do Ivaí, a defasagem chega a 55%. O problema também atinge investigadores. Nesta função, o déficit chega a 25%. O número de delegados também é insuficiente, embora houve um esforço no ano passado de nomear um titular, ao menos, para cada comarca do Paraná. 

Além da questão do baixo efetivo, outro problema prejudica o trabalho da Polícia Civil. Na maioria das comarcas, são os policias civis que cuidam dos presos. Dessa forma, eles deixam de sair às ruas para investigar crimes porque precisam cuidar dos detentos. É um prejuízo enorme na elucidação de crimes. 

Diante desse contexto, a Polícia Civil acaba investigando apenas os crimes considerados mais graves, como latrocínios (roubo seguido de morte), homicídios e assaltos. Os demais ficam em segundo plano. Dificilmente, a Polícia Civil terá contingente suficiente para investigar furtos, por exemplo. Ou seja, esses criminosos praticamente têm a certeza da impunidade. 

O mesmo ocorre na Polícia Militar. A maioria dos municípios conta com efetivo abaixo do adequado. Em algumas cidades, há apenas dois ou três policiais de plantão, o que dificulta a repressão ao crime nessas localidades. 

O governo do Paraná precisa buscar alternativas para, ao menos, amenizar esse problema. É claro que o desafio é imenso, ainda mais diante das dificuldades financeiras decorrentes da economia nacional frágil e também da defasagem de investimentos na segurança pública herdadas de governos anteriores. No entanto, é necessário encarar o problema, buscando manires de fazer novas contratações, além de resolver o problema das cadeias públicas, que complicam ainda mais a situação.