O mato alto se tornou um problema recorrente na maioria dos municípios. Nesta época do ano, marcada por dias de chuva intercalados com sol forte, a vegetação toma conta da maioria dos bairros. Isso acontece porque os proprietários de terrenos não cumprem com sua responsabilidade de manter seus lotes limpos. Essa negligência pode trazer consequências à saúde pública, com a proliferação de animais peçonhentos e acúmulo de lixo, sem contar com a insegurança.
A limpeza desses terrenos não é uma atribuição direta do poder público. No entanto, a maioria das prefeituras da região acaba tendo que manter equipes dedicadas à roçagem de lotes particulares, além de cuidar das áreas públicas, que também enfrentam o mesmo problema.
Em Apucarana e Arapongas, o trabalho com funcionários terceirizados começou ontem. Os terrenos serão roçados e a conta pelo serviço enviada para os responsáveis. No ano passado, as duas prefeituras roçaram mais de 100 mil m² de terrenos particulares. Em Apucarana, foram 73 lotes particulares, resultando em uma área total de 88,2 mil m². A taxa de roçagem, de R$ 1,40 o m², é cobrada dos proprietários dos terrenos através do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) do ano seguinte. Neste ano, a prefeitura lançou cerca de R$ 123,5 mil.
Em Arapongas, o serviço é feito por uma empresa terceirizada, que conta com 70 funcionários. Eles são deslocados conforme a necessidade do momento. O custo cobrado pelo município é fixo, de 1,5 UFA (Unidade Fiscal de Arapongas), para terrenos com até 200 m². A cotação da UFA está em aproximadamente R$ 230, o que resulta em uma cobrança de R$ 345 pelo serviço. Em terrenos maiores, a taxa é variável. Há ainda uma multa de 10 UFAs, ou cerca de R$ 2,3 mil.
Chama atenção essa negligência dos proprietários. É inaceitável esse descompromisso com a coletividade. Além da questão paisagística, a vegetação alta nos lotes gera riscos de proliferação do Aedes aegypti, além de animais peçonhentos, servindo ainda de refúgio para assaltantes. Esse problema é recorrente, mas não há mudança de comportamento. As prefeituras, inclusive, deveriam ampliar a fiscalização, multando essas pessoas por descumprir essas normais municipais.
Nesta época do ano, a situação se agrava. Apucarana, por exemplo, vem registrando chuva desde o dia 20 de dezembro. Houve uma trégua apenas nos últimos dias, evidenciando o problema do mato alto. Por outro lado, as prefeituras também precisam fazer a sua parte. Há algumas áreas públicas, incluindo praças e parques, que também enfrentam esse problema. É preciso dar o exemplo antes de fazer qualquer cobrança.