OPINIÃO

min de leitura - #

É fundamental aprender a conviver com a tecnologia

Da Redação

| Edição de 01 de novembro de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.

Os avanços provocados pela tecnologia são indiscutíveis. A computação representou um salto na humanidade. No entanto, este é apenas um exemplo. As mudanças abarcam todas as áreas de conhecimento, da genética à robótica. O jeito de aprender, de se comunicar ou de se divertir é outro.

O homem moderno está completamente envolvido por tecnologias. O telefone celular, talvez, seja o exemplo mais comum a todos. Esse aparelho, criado originalmente para fazer ligações móveis, hoje transformou-se numa múltipla plataforma. Fazer ligações é a menor de suas possibilidades. O celular acessa à internet, guarda arquivos de músicas e de texto, possibilita a comunicação por texto e também por vídeo, etc.

No entanto, há o outro lado da moeda. Há quem demonize a tecnologia, acusando esse avanço como responsável por uma série de doenças neurológicas, além de afetar o que é algo muito caro entre os seres humanos: a troca de experiências pessoais, o olho no olho, a conversa, o toque...

De fato, a internet uniu e afastou ao mesmo tempo as pessoas. Há quem tenha milhares de amigos no Facebook e nenhum com quem possa se encontrar pessoalmente.

O psicoterapeuta paulista Ivan Capelatto é um dos críticos da tecnologia. Durante palestra em Apucarana na semana passada, o estudioso comparou a dependência do uso do celular ao vício de drogas pesadas, como a cocaína. Segundo ele, o contato social entre as pessoas ficou em segundo plano. “Nós vamos ter problemas muito sérios com essa geração que vem vindo, ligadas compulsivamente na virtualidade. As pessoas não vão conseguir pensar. É o ‘aqui e agora’. Não tem ontem, não tem amanhã. É algo muito sério, muito grave”, disse em entrevista publicada pela Tribuna no último domingo.

As declarações do psicoterapeuta assustam. É verdade. Muitas pessoas estão passando dos limites com a tecnologia. Um jovem, inclusive, morreu há poucos dias após simular um suicídio ao vivo pela internet, numa brincadeira que acabou em tragédia.

A tecnologia é espetacular. Ninguém quer uma volta ao passado. No entanto, é preciso aprender a conviver com todos esses mecanismos. É possível manter hábitos saudáveis – para o corpo e para a mente – e conviver com a computação, a robótica e a telefonia celular de última geração. Existem muitos exemplos assim. O alerta do professores é importante, mas esse quadro apocalíptico é possível de ser combatido com uma postura diferente diante da vida, de valorização do ser humano, do esporte, da natureza. Isso também é assunto de política pública, com valorização de espaços verdes e de convivência, de relações de trabalho que permitam essa troca de experiências. A tecnologia vai continuar evoluindo, não há outro caminho. O homem precisa aprender a conviver com esse progresso sem perder a sua humanidade.