OPINIÃO

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Educação brasileira precisa de grandes investimentos

Da Redação

| Edição de 31 de janeiro de 2019 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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A Prefeitura de Apucarana está pleiteando a implantação de um colégio militar estadual na cidade. O município indicou o “Santos Dumont” como local ideal para essa instalação e agora aguarda um posicionamento do governador Ratinho Junior (PSD) em relação à demanda.

Nos últimos anos, há uma crescente mobilização de alguns setores da sociedade pela militarização da educação, diante de bons resultados obtidos em avaliações nacionais por esses estabelecimentos pelo País. Além da Polícia Militar (PM), o Exército Brasileiro também administra unidades de ensino em algumas cidades brasileiras. A eleição de Jair Bolsonaro (PSL), um capitão reformado do Exército, que tem como vice o general Hamilton Mourão (PRTB), também reforçou essa onda militarista.
Em Apucarana, a indicação do Colégio Santos Dumont foi feita pelo prefeito em exercício Júnior da Femac (PDT), que levou na última quarta-feira o comandante-geral da Polícia Militar do Paraná (PM/PR), coronel Péricles de Matos, para uma visita às instalações desse estabelecimento de ensino.
O “Santos Dumont” conta com mais de mil alunos matriculados em turmas nos turnos matutino, vespertino e noturno. Além do ensino fundamental e o ensino médio, o colégio também oferece atualmente cursos profissionalizantes gratuitos. 
Há um outro projeto, encabeçado pela deputada Luísa Canziani (PTB), que reivindica a vinda de um colégio militar federal ao município, administrado pelo Exército. Esse processo está na fase inicial, mas já foi levado ao Ministério da Educação (MEC).
A instalação de um ou dois colégios militares na cidade representaria uma alternativa a mais para estudantes de Apucarana e região, que aprovam esse tipo de ensino, baseado principalmente na hierarquia e disciplina em sala de aula. No entanto, é preciso lembrar que o governo federal tem a obrigação de melhorar os ensinos básico e médio de todo o país de modo geral. A militarização pode atender a uma fatia importante de interessados, mas a educação brasileira exige uma reforma geral, garantindo a pluralidade e qualidade de ensino a todos os cidadãos. Os maus resultados de muitas escolas não têm relação com administração ou não feita por militares, seja da PM ou do Exército, mas são causados pela falta de investimentos em estrutura das escolas, na formação e remuneração dos professores e também nas dificuldades sociais de muitos alunos. É um problema bastante complexo e histórico, que exige uma intervenção profunda. Somente assim a realidade educacional brasileira poderá ser transformada