OPINIÃO

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Erro na composição de alguns ministérios

Tribuna do Norte

| Edição de 25 de maio de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Além da economia fragilizada, do desemprego e da inflação, a corrupção foi um dos principais motivos para a derrocada da presidente Dilma Rousseff (PT). A petista sofreu impeachment no Congresso Nacional por causa das pedaladas fiscais, mas os protestos que levaram milhares e milhares de pessoas às ruas de todo o país foram motivados pelas denúncias de desvios bilionários originadas na Operação Lava Jato. A população está cansada de ser comandada por políticos investigados e alguns até réus de processos no Supremo Tribunal Federal (STF).

A chegada de Michel Temer (PMDB) ao poder trouxe um sopro de esperança para os brasileiros. Afinal, a saída de Dilma da presidência trazia consigo também um aspecto simbólico, do fim da era PT, que provocou forte rejeição de uma parcela enorme da população brasileira, principalmente pelos sucessivos escândalos de corrupção, do mensalão ao esquema de propinas na Petrobras.

Temer iniciou prometendo reformas esperadas há anos e garantiu foco na recuperação da economia. Um ponto positivo para o peemedebista. É o que a população mais queria. Por outro lado, o presidente interino apresentou à sociedade um ministério com poucas caras novas. Pior: um ministério formado por pelo menos sete ministros denunciados justamente na Lava Jato. Ponto negativo.

Assim, era questão de tempo o surgimento do primeiro escândalo político no governo Temer. E não demorou muito. Menos de 14 dias depois da posse, o ministro do Planejamento, Romero Jucá, caiu. Ele foi flagrado em uma conversa telefônica com o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, na qual teria sugerido, antes da votação do impeachment da Dilma, que a mudança de governo seria uma saída para barrar a Lava Jato.

Esse tipo de situação era tudo que o país não precisava nesse momento. Temer assumiu para si o risco ao nomear ministros denunciados na Lava Jato. Com tantos delatores fazendo acordos com a Justiça, gravações telefônicas e outras denúncias pipocariam, gerando desconforto no governo. O primeiro foi justamente Romero Jucá, considerado até então o homem forte do presidente interino.

O desconforto agora também ocorre entre a população. O ministério deveria ter sido formado por pessoas limpas, sem qualquer denúncia. Isso garantia o foco apenas nas reformas e na reconstrução do país. Ao menos, o novo governo agiu rápido, com a saída de Jucá no cargo, evitando a ampliação do desgaste.

A Lava Jato está investigando todos os partidos. Não apenas o PT. Por isso, Temer precisa analisar a nomeação dos seus ministros e assessores diretos. O foco deve ser a recuperação nacional e as reformas necessárias para o Brasil voltar a crescer. Políticos denunciados não podem participar desse projeto.