O vergonhoso caso de estupro coletivo praticado contra uma menina de 16 anos do Rio de Janeiro envergonhou o Brasil e mostrou a dimensão do problema. Essa violência contra a mulher, que reflete uma cultura do estupro reinante no país, é muito mais freqüente do que se imagina e ocorre também na nossa região.
Reportagem da Tribuna publicada ontem mostra que as notificações de estupros aumentaram 204% nos 17 municípios pertencentes a 16ª Regional de Saúde (RS), com sede em Apucarana. No ano passado, foram 67 atendimentos no Sistema Único de Saúde (SUS) contra 22 em 2014.
Apenas em Apucarana, no ano passado, foram 59 situações do tipo. O município, sozinho, responde por 88% das notificações de toda região. Arapongas aparece na sequência, com 7 casos.
No entanto, esse número está muito longe de retratar a realidade. A maioria dos casos de estupro e abuso sexual não chega a conhecimento das autoridades. Esses 67 registros estão no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde. São vítimas que foram atendidas na rede de saúde. Grande parte das vítimas, porém, não procura atendimento e não denuncia os casos à polícia. O motivo é a vergonha e o medo da recriminação pública.
O caso do estupro coletivo da garota do Rio de Janeiro mostra claramente a cultura machista que predomina. Mesmo com as gravações do abuso, que mostram a menina desacordada em meio a homens que manipulam seu sexo, muitas pessoas, incluindo mulheres, trataram de acusar a menina, culpando-a pela violência sofrida. É uma visão torta e torpe de que a vítima “procura” pelo pior quando supostamente não se comporta direito, veste roupas curtas e decotadas ou frequenta locais "impróprios”.
Ora, esse pensamento beira a ignorância. Não há justificativa para o estupro. Definitivamente uma roupa curta não é argumento para a violência. É absurdo que as pessoas tenham um pensamento assim, tão estapafúrdio. Há muitas prioridades nesse Brasil em crise, mas combater a violência contra a mulher precisa fazer parte das metas e da política governista. É uma situação que passou do limite e exige uma intervenção concreta do poder público.
É preciso buscar formas de combater esse problema. Primeiro, com o aumento das denúncias por parte das vítimas e a punição dos agressores; segundo, com um trabalho de orientação sobre o tema, estimulando uma mudança de pensamento dentro das famílias, nas escolas e na sociedade em geral. É preciso acabar com essa estúpida cultura do estupro.