O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os números preliminares do Censo Agropecuário 2017. A pesquisa, atualizada 11 anos depois da realização do último levantamento, mostra um campo mais esvaziado e envelhecido.
Em 11 anos, a força de trabalho nas propriedades rurais perdeu mais de 1,5 milhão de pessoas. O censo mede o chamado pessoal ocupado por propriedade, o que inclui proprietários de área, familiares, trabalhadores e arrendatários. Na região, a situação não é diferente. Entre 2006 e 2017, a quantidade de pessoas trabalhando na área rural dos 27 municípios da região caiu mais da metade, passando de 87.128 para 39.775.
O avanço da mecanização é um dos principais fatores para explicar o fenômeno. Em todo Brasil, o número de tratores e implementos por propriedade cresceu 49%. Na região, um dos maiores crescimentos foi de colheitadeiras, com ampliação de 32,9%.
Com mais máquinas no campo, reduz-se a necessidade de mão de obra. Como bem explicam os especialistas, a mecanização tanto resolve um problema como cria outro. Se de um lado as máquinas fazem o serviço de várias pessoas e melhoram a eficiência do trabalho, de outro colaboram com o êxodo rural, que traz como reflexo a dificuldade de encontrar mão de obra para atuar no campo.
A redução do pessoal ocupado tem outro reflexo, o do envelhecimento do campo. Na região, mais de um terço do pessoal ocupado, 34,4%, tem mais de 60 anos. A agricultura tem, portanto, um percentual de idosos trabalhando e produzindo que dificilmente se vê em outros setores.
O envelhecimento e a falta de mão de obra no campo tem impacto direto na produtividade e na oferta de alimentos na cidade, uma vez restringe uma série de atividades e potenciais que poderiam ser explorados em um cenário mais favorável.
Tornar o campo mais atrativo para os jovens, aliás, é uma necessidade que vem sendo apontada há décadas e que os números do censo apenas reforçam. É urgente e fundamental pensar em políticas abrangentes para área rural que priorizem a inclusão dos jovens, baseadas em apostas produtivas que garantam a ocupação de mão de obra e também qualidade de vida para quem reside na área rural.
Não é difícil formatar um projeto de desenvolvimento baseado nessas premissas. Valorizar a agricultura familiar, o que inclui trabalhar com uma política séria de subsídios para essa categoria produtiva, promover a mobilidade da população rural é um bom começo.