Por Ernesto Siqueira, secretário de Cultura de Rosário do Ivaí
Escrever sobre o Exército Brasileiro, no meu caso, é motivo de ufanismo, por eu ser militar, historiador e brasileiro. E é esse Exército que foi criado para defender e garantir a lei, a ordem e os poderes constitucionais.
Nas escolas, é um paradigma cultural, por ocasião da chamada, responder “presente”. E o Exercito Brasileiro respondeu “presente” desde o seu aniversário, 19 de abril 1648, na Batalha dos Guararapes. Nesse passo, continua até hoje. De maneira conciliatória ou repressiva. Onde sempre tem um preço, mas acima de tudo também tem um sentimento patriótico em todo o território nacional.
Respondeu “presente” em 15 de novembro de 1889, quando civis republicanos e militares interessados no fim da monarquia lutaram pela democracia. O marechal Deodoro da Fonseca proclamou a República e, no dia 19 do mesmo mês e ano, foi criada a atual bandeira.
Respondeu “presente” em 1935, na Intentona Comunista; em 1939, na Segunda Guerra Mundial; em 1961, por ocasião da renúncia do então Presidente Jânio da Silva Quadros; e em tantos outros capítulos da história brasileira.
O Exército Brasileiro, com braço forte e mão amiga, também respondeu “presente” aos chamados da ONU, nos termos da Constituição, o que ocorre depois de um extenso preparo psicológico e físico. Tudo isto para compor o contingente para levar a paz a vários locais do globo, que é composto de combatentes, serviço de Saúde e Religioso, sendo que a missão mais longa foi a do Oriente Médio, de 1957 a 1967, ou seja, dez anos.
O Exército Brasileiro encontrou e encontra pelo caminho muitos espinhos, que são obstáculos sempre vencidos, mas também recebe rosas, como foi depois de libertar Monte Castelo, Turim e Montese dos nazistas. Por tudo isso, ao passar por Roma, os italianos foram às ruas levantar bandeiras brasileiras e gritar! “Brasiliani Salvatóri dela Pátria”. Nesse momento, nossos pracinhas, como eram chamados carinhosamente, sorriram, inclusive os que estavam sem braços ou sem pernas por conta da sangrenta guerra. Porém, nesse hora, no meio da alegria, lembraram dos companheiros que ficaram no Cemitério de Pistoia, província da Toscana.
Este artigo não contemplou heróis de revoluções, batalhas ou de guerras vencidas, até porque nem precisa paginar muitos documentos das prateleiras empoeiradas de nosso rico acervo historiográfico para encontrar, espalhados no Brasil e no exterior, nomes em monumentos, memoriais, praças, prédios, rodovias, avenidas e ruas reverenciando seus feitos, na guerra ou na paz. Até porque a paz é o objetivo da guerra.
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