Neste domingo em que a Igreja celebra a Solenidade da Ascensão do Senhor, desde 1967, por iniciativa do Papa Beato Paulo VI é celebrado o Dia Mundial dos Meios de Comunicação Social, iniciativa que expressa um dos muitos frutos do Concílio Vaticano II. Neste ano celebramos neste domingo o 52º. Dia Mundial das Comunicações Sociais e como fizeram seus antecessores, o Papa Francisco envia uma Mensagem, cujo tema neste ano é o sério e delicado tema das “fakes news” ou “notícias falsas” que têm criado constrangimentos, conflitos, divisões, destruindo a reputação e a vida das pessoas, influenciando de modo covarde na política, na economia e nos relacionamentos entre as pessoas.
Em uma das melhores Mensagens publicadas até agora, o Papa Francisco chama a atenção de todos nós diante deste ardiloso, irresponsável e perigoso fenômeno. O ser humano é essencialmente relação e comunhão por isso faz comunicação, por diversos meios, por isso na comunicação somos responsáveis pela busca da verdade e a construção do bem, somos todos, especialmente os profissionais da notícia, repórteres e jornalistas, e todos os que temos usados as redes sociais para divulgar fatos, todos somos responsáveis na prevenção da difusão das notícias falsas e aos importantes profissionais do jornalismo, redescubram o valor de sua profissão, que em nossa contemporaneidade revela-se mais ainda como uma missão a serviço da verdade.
Na Mensagem que podemos acessá-la no site do Vaticano na internet em quatro tópicos, o Papa nos recorda e ensina que num primeiro momento as fake News se apresentam simplesmente como desinformações, informações infundadas, porém que podem enganar e manipular o destinatário e muitas vezes de modo premeditado, “...explorando emoções imediatas e fáceis de suscitar como a ansiedade, o desprezo, a ira e a frustração” (Mensagem do Papa Francisco). Apoiando-se na lógica das redes sociais, conteúdos sem fundamentos, “viralizam” trazendo consequências nefastas aos seus envolvidos. Quem propaga uma notícia sem estar certo de sua veracidade, de sua verdade, ainda que involuntariamente torna-se também responsável pelas consequências de tal atitude leviana, irresponsável, chegando a ser criminosa.
O Papa louva a Deus por todas as iniciativas que visem prevenir este tipo de comportamento e convida-nos a ser artífices de uma rede de homens e mulheres que busquemos a verdade, vençamos com Jesus Cristo a lógica da serpente da narrativa bíblica do Gênesis, a serpente artífice da primeira fake new, lembra-nos e ensina o Sucessor de Pedro, “...a verdade não se alcança autenticamente quando é imposta como algo de extrínseco e impessoal...uma argumentação impecável pode basear-se em factos inegáveis, mas, se for usada para ferir o outro e desacreditá-lo à vista alheia, por mais justa que apareça, não é habitada pela verdade”. No centro da notícia estão as pessoas, não a velocidade em comunica-la ou impacto sobre a audiência, o Papa pensa num jornalismo sem fingimentos, hostil às falsidades, sensacionalista, um jornalismo feito de pessoas para as pessoas. Convido você a ler e meditar essa lúcida e profética Mensagem! Pense que você poderá ser vítima de uma notícia falsa, é muito doloroso e revela o quanto o ser humano pode ser instrumento do diabo, o “pai da mentira” e que não tolera a comunhão, pois ao espalhar a divisão, nos isola para que sejamos suas vítimas.