stamos nos mês em que uma das festividades globalmente conhecidas do folclore norte-americano, o Halloween, ocorre (31 de outubro). As escolas de idiomas, em todo o Brasil, ficam abarrotadas de bruxas, abóboras e morcegos para a celebração do Dia das Bruxas. Nas escolas de ensino regular, alunos chegam a ir para a aula com fantasias e máscaras de monstros.
O Hallowe en é uma celebração fundamentalmente mística, que se reporta a uma tradição celta pagã de quase 2 mil anos atrás. Essa tradição baseava-se na crença de que na passagem da noite do mês de outubro para o dia primeiro de novembro, a qual marcava o Ano Novo, os espíritos dos mortos vinham se juntar aos dos vivos. Depois, tradicionalmente, a Igreja Católica passou a adotar esse dia como o Dia de Todos os Santos.
É evidente a presença de tal fenômeno cultural no Brasil nesta época do ano, seja nas escolas, no comércio e nas mídias em geral. Como, então, educar nossos filhos e alunos a respeito dessa cultura estrangeira? De que forma ensiná-los a conviver com essa diversidade cultural e, por que não, de cunho religioso?
Respaldando-se nos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) de 1998, os quais, desde então, estabelecem a curricularização dos chamados “temas transversais”, não seria o Halloween ou Dia das Bruxas um conteúdo emergente na sala de aula de língua estrangeira, já que língua e cultura estão intrinsecamente relacionadas, uma vez que a língua expressa, incorpora e simboliza uma cultura? A transversalidade deste tema na escola me parece inevitável, quer pais e escola concordem ou não. Trata-se, pois, de um evento cultural que tem se incorporado em nossos espaços sociais de forma inquestionável e alienante, sem o devido conhecimento de seus fundamentos históricos, culturais, políticos e religiosos.
A escola é o espaço social onde questões urgentes que interrogam sobre a vida humana, sobre a realidade que está sendo construída e que demandam transformações macrossociais e, também, de atitudes pessoais, precisam ser introduzidas aos alunos. Portanto, a temática do Halloween pode ser estudada através de conteúdos escolares que conduzam o aluno ao debate, a um relativismo cultural e a posicionamentos críticos, em componentes curriculares, tais como, línguas, geografia, história e filosofia.
Por fim, é preciso entender que, se a escola não cumprir com o papel de transmitir ao aluno, ensinamentos transversais, como a festividade do Halloween, nas áreas do currículo escolar, outros espaços sociais continuarão a fazê-lo, de modo que os alunos, nossos filhos, permanecerão desorientados acerca dos condicionantes históricos, políticos, culturais e religiosos que subjazem os significados verdadeiros de eventos culturais ‘estrangeiros’ que se incorporam em nosso cotidiano.