Os estudantes que esperam pela volta das aulas nos colégios estaduais do Paraná estão sem saída. De um lado, as ocupações persistem em um grande número de estabelecimentos de ensino; por outro, os professores decidiram manter a greve por tempo indeterminado após assembleia realizada no último sábado em Curitiba.
A situação é preocupante. O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) será realizado no começo de novembro e muitos alunos estão estudando em casa, por conta própria, sem condições de tirar dúvidas com professores ou buscar informações nos materiais didáticos das bibliotecas.
Em Apucarana, a Justiça negou na sexta-feira à noite um pedido de reintegração de posse nos colégios. A decisão judicial contrariou muitos pais, que aguardavam pela desocupação de escolas.
São cerca de 50 colégios ocupados nos núcleos de educação de Apucarana e Arapongas. Amanhã, a União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (Upes), que organiza a manifestação, irá realizar uma assembleia para discutir os rumos do movimento. A expectativa é de que os protestos sejam encerrados. A mobilização critica a reforma do ensino médio, proposta pelo governo federal.
No entanto, as aulas não têm data para serem retomadas no Paraná. Os professores seguem em greve, mesmo com a proposta do governo estadual de retirar oficialmente o artigo enviado à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) que suspende o reajuste da categoria.
A assembleia realizada no sábado passado mostra que os professores estão absolutamente divididos. A decisão de seguir com a greve obteve apenas cinco votos a mais do que a proposta de voltar às aulas. A direção da APP-Sindicato e o comando estadual de greve, inclusive, defendiam o fim da paralisação.
O saldo dessa primeira semana de manifestação dos professores é de incertezas. Afinal, nem a própria direção da APP-Sindicato tem controle sobre a categoria. Essa divisão dos docentes paranaenses significa que as discussões e negociações com o governo estadual ficam ainda mais fragilizadas, porque os próprios professores não têm um pensamento único em relação aos rumos do movimento grevista.
Enquanto isso, os alunos que pretendem voltar para as salas de aula estão perdidos. Não sabem como ficará o calendário escolar e também veem a preparação para o Enem prejudicada. A situação da educação no Paraná é delicada. Agora, é difícil prever como será resolvido esse impasse.