Incentivar a inclusão de alunos com algum tipo de deficiência intelectual na rede escolar representa um grande desafio. Isso porque é preciso dotar as escolas de estrutura necessária e também romper o preconceito que ainda existe, tanto de pais quanto de professores.
Na segunda-feira, foi comemorado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. Foi uma oportunidade de refletir sobre a importância da inclusão das crianças com esse transtorno na escola. É preciso reconhecer que houve um avanço significativo nesse sentido. O número de estudantes autistas na rede estadual de ensino do Paraná tem crescido nos últimos anos. Em 2018, há 745 alunos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista matriculados em 473 escolas no Ensino Fundamental, Ensino Médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA). Em 2015, eram 492 alunos autistas matriculados; 588 em 2016 e 709 no ano passado. Em Apucarana, são 43 estudantes matriculados nas redes estadual e municipal.
Apesar do maior número de estudantes, é fundamental aprofundar a reflexão das práticas e políticas que cada segmento da sociedade tem adotado para receber pessoas autistas e com outros tipos de transtorno intelectual. Isso deve ocorrer não apenas nas escolas. É verdade que a sociedade está conseguindo um momento de maior aceitação das “diferenças”. Hoje, a família, a escola e as pessoas de modo geral estão mais receptivas. Isso merece ser comemorado.
A escola é um exemplo positivo nesse sentido. Os estudantes que estão matriculados na rede pública estadual são atendidos, quando necessário, por um professor de Apoio Educacional Especializado. O atendimento é concebido e organizado para suprir as necessidades de acesso ao currículo do ano em que estão matriculados. O estudante autista também pode frequentar a Sala de Recursos Multifuncionais da escola, no contraturno, cujo foco é complementar a escolarização, promovendo o desenvolvimento dos processos cognitivos.
A inclusão é um direito de todos, mas isso nem sempre é respeitado. O preconceito ainda é uma barreira. Isso, infelizmente, é muito comum na sociedade brasileira. As pessoas ainda têm resistência à presença da “diferença” na sala de aula. Isso não envolve apenas a questão de saúde mental, mas de outras diferenças, como de sexo, credo e cor, etc. A sociedade é ainda muito preconceituosa.
O Dia Mundial de Conscientização do Autismo ajuda a refletir sobre a importância da inclusão em vários sentidos. Aceitar a diferença é fundamental e necessário para toda a sociedade, não apenas na escola, mas em todos os setores.