OPINIÃO

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Inflação oficial mostra o tamanho da crise

Tribuna do Norte

| Edição de 10 de janeiro de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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A inflação oficial do País de 2015, anunciada na última sexta-feira, dificulta o discurso dos defensores ardorosos do governo federal, que viam exagero na dimensão da crise econômica brasileira. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou o ano passado em 10,67%, bem acima do teto da meta do governo, de 6,5%. Este é o maior patamar desde 2002.

Combustíveis, energia elétrica e alimentos foram os vilões da economia no ano passado, provocando a escalada da inflação para dois dígitos. Em 2014, o índice havia registrado alta de 6,41%, o que mostra o impacto da crise econômica nos preços repassados ao consumidor.

O IPCA confirma o que maioria dos brasileiros vinha sentindo no bolso no ano passado e também já nos primeiros dias de 2016: a crise é uma realidade indiscutível. Não adianta brigar contra esse problema que traz graves consequências à rotina da população, principalmente a mais carente. É preciso unir esforços e cobrar uma reação governamental em relação à recessão.

O governo, a propósito, tem responsabilidade direta pela inflação. Afinal, os combustíveis e a energia elétrica, que pressionaram a inflação em 2015, têm seus preços administrados pela União.

O índice oficial da inflação mostra quanto o custo de vida ficou mais alto no País. Além da energia e dos combustíveis, o grupo com maior alta foi o de alimentos e das bebidas. De 8,03% em 2014, a taxa subiu para 12,03% entre esses produtos, impactando de forma importante no cálculo final do IPCA.

A situação é preocupante. Há uma nítida derrocada na economia nacional, afetando diretamente o cidadão. O governo perdeu totalmente o controle da situação. Afinal, é a primeira vez que a inflação supera o teto da meta estabelecida pelo próprio CMN (Conselho Monetário Nacional) desde 2003, o primeiro ano do governo Lula. Isso só havia ocorrido em outras duas vezes, em 2001 e 2002.

Apesar desses índices preocupantes, a equipe econômica do governo mantém-se passiva. Nesta semana, um ministro disse que não há um “coelho na cartola” para melhorar a economia. Ora, a população quer uma solução. Essa falta de reação é absurda e preocupante, principalmente para o cidadão mais simples.