Criados pelo governo federal, os Centros de Referencia Especializados em População em Situação de Rua, mais conhecidos como Centros Pop, foram implantados em vários municípios para prestar apoio ao grupo social mais vulnerável e também o mais invisível em termos de políticas públicas e garantia de direitos.
A chamada população em situação rua - a atual denominação técnica vigente que tenta minimizar os estigmas de termos como sem teto e andarilho - é um desafio em várias frentes.
Uma pessoa entra em situação de rua pela soma de uma série de fatores que incluem vulnerabilidade socioeconômica, problemas familiares e de saúde, dependência química ou de álcool, só para começar a citar alguns deles.
A atuação dos Centro Pop tenta atuar nessas frentes com oferta de atendimento de saúde, assistência social, além da satisfação de necessidades básicas do público, que inclui alimento, banho e, não menos importante, atenção e reconhecimento.
Um projeto novo que vem sendo desenvolvido pelo Centro Pop de Arapongas incluiu nesta lista de serviços aulas de informática. O curso é semanal e é realizado em laboratório nas dependências da unidade. O objetivo é promover inserção social, resgatando vínculos e autoestima dos participantes.
O curso está nas primeiras aulas e ainda é cedo para apontar resultados, mas a ideia merece destaque e, principalmente apoio, algo que a sociedade de modo geral tem dificuldade a oferecer à população de rua.
O morador de rua gera desconfiança e desconforto. Isso é fato e é hipocrisia dizer que essa reação não ocorre em todos os níveis. É bem por isso, essa parcela da sociedade é tão invisível, inclusive em termos de políticas públicas. Garantir serviços a esta população, até há bem pouco tempo atrás se resumia em oferecer alimento, uma cama nas noites frias e uma passagem para outra cidade.
Não que essas não sejam necessidades fundamentais, mas se ideia é resgatá-los da situação de rua, é preciso ir além.
Neste sentido, a iniciativa de Arapongas deve ser destacada pelo arrojo de dar esse passo adiante. Aprender algo novo abre janelas de possibilidades para qualquer pessoa, em qualquer situação.
A possibilidade de usar o computador para fazer um currículo - desejo expressado por um dos entrevistados da reportagem publicada ontem pela Tribuna - ou apenas navegar por sites de música e pelo Facebook, conforme disse outro dos alunos, algo que parece tão simples e corriqueiro para a maioria das pessoas, pode ser uma ação profundamente transformadora e integradora para quem já não tem mais um referencial de lar ou de convivência social. Isso é reinserção social.
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