OPINIÃO

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Insegurança no campo coloca economia em risco

Da redação

| Edição de 27 de julho de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Responsável por 30% do PIB paranaense, a agropecuário é o setor que sempre salva a economia do estado. A agricultura forte e a agroindústria garantiram, por exemplo, uma resistência maior à crise econômica, cujos efeitos demoraram mais a aparecer nos índices de desemprego e de evolução do produto interno bruto. Vale ressaltar que, em ambos os índices - fundamentais para conferir o impacto da crise -, o estado vem registrando um desempenho superior à média nacional.
Exatamente, por conta exatamente de toda essa força produtiva, o campo paranaense não é mais o mesmo. Mudou a forma de produção e mudaram também os riscos da atividade. 
Hoje, o produtor rural não teme apenas os efeitos climáticos das secas, geadas e excesso de chuva, mas tem o mesmo medo da insegurança que os moradores das áreas urbanas, se não mais. Faltam dados específicos a respeito de crimes contra o patrimônio na esfera rural, mas o crescimento é inegável e alarmante.
Reportagem publicada nesta quarta-feira na Tribuna a respeito das dificuldades enfrentados por produtores de abacate em Arapongas é um exemplo do novo cenário do campo. 
Se no passado, eles perdiam algumas sacoladas de frutas levadas nos finais de semana de árvores plantadas na beira da cerca, hoje os furtos tomaram tal proporção que corre-se o risco de perder o lucro da atividade para os bandidos. Em algumas propriedades, estima-se que 20% da safra de abacates, que é anual, tenha sido furtada. Por conta do volume levado, algo em torno de 50 toneladas, resta pouca dúvida de se tratar de uma quadrilha.
Perder a produção para bandidos, aliás, é uma rotina para determinados setores produtivos. Pecuaristas da região sabem bem disso. Quando o tomate estava com preço nas alturas, os furtos e até assaltos nas estufas de Faxinal, principal produtor da região,  também se tornaram um problema de caráter regional.
Muito mais frequentes, entretanto, são os roubos de máquinas, sementes e principalmente defensivos agrícolas, que são cotados em dólar e atraem quadrilhas fortemente armadas.
Não há estudos que coloquem na ponta do lápis o custo da criminalidade na produção agrícola, mas esse é um fator que cada vez mais vem sendo levado em consideração por quem vive e trabalha no campo. Tranquilidade para produzir é fundamental e um direito das comunidades rurais que vem sendo paulatinamente esquecido. É urgente começar a pensar uma política de segurança pública voltada especificamente para esse setor para evitar que, por medo da criminalidade, o campo se esvazie.