As cadeias públicas da região são um problema histórico. A superlotação gera uma tensão permanente entre policiais, agentes penitenciários e a comunidade. O reflexo são as constantes fugas, que reforçam a necessidade de se investir em novas penitenciárias e na desativação dessas unidades sem estrutura.
Nas últimas semanas, três cadeias superlotadas da região registraram fugas. No final do mês passado, 26 detentos escaparam em Arapongas. Na madrugada do último domingo, 16 fugiram em Jandaia do Sul e na madrugada de segunda-feira outros 26 em Ivaiporã. Com efetivo policial reduzido, poucos detentos são recapturados e a maioria volta às ruas, cometendo novos crimes e deixando a população assustada com a ameaça de criminosos à solta.
Em menos de 30 dias, portanto, pelo menos 60 presos fugiram em três cadeias da região que sofrem com a superlotação. É algo extremamente preocupante.
É preciso fazer justiça ao governo Beto Richa (PSDB), que tem investido na construção e ampliação de novas penitenciárias.
No começo do mês passado, a Secretaria da Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná finalizou a adequação dos projetos para a implantação de uma série de construções e ampliações no sistema prisional do Paraná. São 14 obras que irão aumentar em 6.756 o número de vagas no sistema penitenciário de todo o Estado, totalizando mais de 25.000 vagas nos presídios paranaenses. É um número significativo, que mostra a demanda no sistema penitenciário paranaense.
Muito está sendo feito, é verdade, mas muito ainda precisa ser feito. A questão penitenciária é um desafio do Estado, reflexo de anos e anos sem investimentos. Na região, a situação é preocupante e motivou até uma espécie de levante de delegados de Polícia Civil, que passaram a “abrir” as cadeias públicas para a imprensa, com o objetivo de mostrar os problemas de superlotação e também para denunciar “desvios de função”, com policiais cuidando de presos quando deveriam estar nas ruas investigando crimes.
É preciso rever a situação dessas cadeias públicas regionais. Ou se constrói novos presídios, mais modernos e seguros, ou esses presos da região precisam ser transferidos para unidades em outras regiões do Estado. Arapongas, por exemplo, cobra a construção de um Centro de Detenção Provisória (CDP). Enfim, é preciso buscar uma solução. A população não pode continuar assustada, vendo presos fugindo de cadeias da região, acossados por bandidos e criminosos perigosos à solta.