A presença da presidente Dilma Rousseff (PT) na reabertura dos trabalhos do Congresso, na terça-feira, foi saudada como um gesto de aproximação da mandatária do país com deputados e senadores. A petista, como todos sabem, não é afeita a articulações políticas e essa sisudez tem custado caro ao Brasil nos últimos anos. Sem diálogo, o governo não tem conseguido aprovar projetos na Câmara dos Deputados e no Senado.
Neste ano, Dilma decidiu acompanhar pessoalmente a abertura dos trabalhos. Não há outra saída para a petista, que precisa abandonar o seu isolamento para conseguir apoio a algumas medidas fundamentais para tentar recuperar a economia. Foi apenas a segunda vez que a presidente decidiu ir pessoalmente ao Congresso para apresentar as prioridades do ano. Em meio a um conturbado cenário político nacional, o gesto ganha relevância.
Dilma precisa de apoio parlamentar para aprovar projetos que visam reduzir o gasto público e também fazer avançar a reforma da Previdência. Este último problema se mostra o calcanhar de Aquiles do governo. O sistema previdenciário está ameaçado de falência e necessita de intervenção para não entrar em colapso.
No entanto, Dilma acabou sendo vaiada por opositores no plenário. O motivo é a insistência da presidente em defender a proposta de recriação da CPMF. A intenção não encontra eco nem mesmo nos aliados do governo. Mesmo assim, a petista mantém como prioridade a volta desse imposto.
Dilma mostra que não vai sepultar essa proposta, como se essa fosse a única saída para amenizar o rombo nas contas públicas. É uma insistência que contraria empresários e contribuintes. Uma pesquisa recente mostra que 86% dos brasileiros são contra a CPMF, que de imposto temporário não tem nada.
Dilma precisa parar de dar murro em ponta de faca. De nada adianta o simbolismo de participar da abertura dos trabalhos no Congresso se as propostas forem contra o interesse da sociedade. O Brasil precisa de uma pauta de consenso, que obtenha apoio natural do Congresso. Os senadores e deputados também precisam abandonar a estratégia de vetar qualquer projeto do governo federal por simples retaliação política. É preciso pensar no Brasil, acima de tudo.