Representantes da OAB, Polícia Civil, Conselho Municipal de Segurança, Guarda Municipal, Sindicato do Comércio e clubes de serviço deram início a um movimento em prol da instalação de uma Delegacia da Mulher em Arapongas. A reivindicação conta com apoio da prefeitura e deve ser discutida na semana que vem com o secretário de Segurança Pública, Luiz Felipe Carbonell, durante a Expolondrina, quando a sede do governo do estado será transferida para o Parque Ney Braga.
Na exposição do pedido, a Polícia Civil aponta que o município tem um grande volume de inquéritos que justificam a implantação de uma unidade especializada. No ano passado, por exemplo, foram abertos 135 inquéritos de lesão corporal cujas vítimas eram mulheres. O número é 68% maior que os registros do ano anterior.
Essa não é a primeira vez que Arapongas tenta implementar a delegacia especializada. No passado essa discussão também tomou forma, mas não seguiu adiante. Agora, com o município sendo sede de uma subdivisão policial, a 22ª SDP, a estruturação da unidade certamente seria facilitada.
Vale dizer que o município já tem desenvolvido, através da Guarda Municipal, um trabalho bastante significativo e pioneiro na área de violência doméstica. A Prefeitura tem um projeto bem estruturado com a Patrulha Maria da Penha, que acompanha e garante o cumprimento de medidas protetivas dando assistência às mulheres. Por conta da atuação, o município é um dos selecionados para implantação do ‘botão do pânico’, dispositivo que alerta as autoridades automaticamente o descumprimento das medidas, garantindo socorro mais rápido às vítimas. Em outra frente, a GM implantou recentemente um trabalho para dar tratamento aos agressores. O projeto oferta atendimento psicológico e terapia.
A implantação de uma Delegacia da Mulher seria um complemento natural para o trabalho que já vem sendo desenvolvido. Com 399 municípios, o Paraná tem apenas 20 Delegacias da Mulher, 19 delas instaladas no interior e notadamente em sedes de subdivisões. É pouco tendo em vista os crescentes índices de violência doméstica e feminicídios. A ampliação da rede de atendimento à mulher é fundamental para reverter esse quadro.