O prefeito de Apucarana, Beto Preto (PSD), reclama com insistência da herança recebida de gestões anteriores. Não é para menos. Durante prestação de contas feita na Câmara de Vereadores recentemente, o prefeito informou que investiu, com recursos próprios, R$ 45 milhões em obras nos últimos três anos e cinco meses. No mesmo período, pagou os mesmos R$ 45 milhões em débitos deixados por ex-administradores. É algo inaceitável. A Prefeitura de Apucarana poderia ter investido o dobro em asfalto, escolas, creches, entre outras benfeitorias, mas precisou aplicar um volume grande de recursos para honrar débitos feitos de forma irresponsável em mandatos passados.
É lamentável essa completa falta de comprometimento e esse desrespeito com a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) por parte de ex-gestores, que deixaram um fardo pesado para a atual administração e também para as próximas, que continuarão com dívidas acumuladas a serem pagas. Quem sofre com isso é a população.
Esses R$ 45 milhões, segundo a Secretaria de Fazenda do município, foram direcionados ao pagamento de pendências com a Agência de Fomento do Paraná S/A, Receita Federal (Codap e CLT), empréstimos com o Banco do Brasil, parcelamento de FGTS, Pasep e Sanepar, além de precatórios. Sem contar os débitos com licença-prêmio de servidores municipais, que não foram honrados e respeitados nas gestões passadas, e estão sendo pagos parceladamente agora. Nessa lista não está incluída a dívida feita com os bancos Santos e Itamarati, hoje em R$ 272 milhões, que o município não paga por força de liminar. É algo catastrófico.
Esse tipo de irresponsabilidade é inaceitável em um gestor público. A Lei de Responsabilidade Fiscal proíbe administradores de deixarem débitos para os seus sucessores. É o mínimo a fazer: pagar as dívidas feitas dentro do próprio mandato. Apucarana sofre muito com esse tipo de comportamento, pois obras importantes não saem do papel.
A cidade tem ainda muitos bairros sem asfalto e projetos importantes são protelados. O viaduto sobre a linha férrea do Núcleo João Paulo é um exemplo. Essa obra é esperada há pelo menos 30 anos, mas só agora foi construída. Se os recursos do município fossem melhor administrados, certamente, não haveria essa longa espera.
Essa herança de dívidas em Apucarana precisa servir de lição para os gestores públicos - os atuais e os próximos. Os prefeitos devem ter responsabilidade na condução dos recursos públicos. Endividar o município, sem medir as consequências, é o pior desserviço quem alguém pode fazer. Apucarana deixou de avançar nos últimos anos ainda mais por causa dessa irresponsabilidade
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