Arapongas e outros municípios da região viveram e ainda vivem momentos difíceis em decorrência dos problemas causados pelas chuvas intensas que assolaram o Norte do Paraná, especialmente nos dias 10 e 11 de janeiro. Há quem diga que ocorreu até mesmo um tremor de terra, o que teria sido a causa de alguns desmoronamentos de casas, muros, barracões, pontes, etc... Especialistas ainda analisam o caso.
Mas não é sobre o desastre e as perdas materiais que pretendo falar, mas sim sobre os diversos comportamentos humanos que merecem ser analisados sob a ótica da vida em sociedade e suas consequências.
O primeiro é o da maioria das pessoas, que fica chocada com a tragédia, sensibiliza-se com a dor do outro e procura de alguma forma ajudar o próximo. Os que nada ou muito pouco podem fazer de forma objetiva, pelo menos colocam as vítimas em suas orações, pedindo ajuda divina para minorar o sofrimento dos atingidos. Este comportamento é o que mais nos aproxima enquanto seres sociais. A mútua assistência é o fundamento primeiro da vida em sociedade.
O segundo é o daqueles que têm a obrigação funcional de prover o auxílio às vítimas. Bombeiros, policiais, trabalhadores da saúde, da limpeza, do reparo, padres, pastores, etc... têm na maioria das vezes um comportamento exemplar. Afloram suas aptidões na crise. Transformam-se em máquinas de servir ao próximo e à comunidade, sem pensar em nada mais a não ser atender, da melhor forma possível,aos vitimados. Abdicam do descanso, do convívio familiar, de seus outros compromissos rotineiros para incorporar de forma plena sua condição de “servidor público”. Seu comportamento exemplar é imprescindível para que a vida em sociedade prospere, pois ao “carregarem o piano”, fazem as coisas voltarem à normalidade e dão sentido à palavra humanidade.
Dentro do grupo dos que têm a obrigação de servir há também aqueles que se limitam a fazer o “arroz com feijão”. Cumprem sua jornada regular e voltam tranquilos para os seus lares, sem peso algum em suas consciências, pois entendem que recebem seus salários por determinado espaço de tempo e quantidade de trabalho. Dentro de sua lógica cartesiana, não há lugar para o “algo mais”. Quanto a estes, pouco nada se pode falar, pois o tratado não é caro, embora no quesito comprometimento com a função, sua nota não é a das melhores, mas é pelo menos superior aos que fogem às suas obrigações.
Por fim, resta o comportamento daqueles que ficam sentados na frente do computador ou atrás de seus microfones ou de suas câmeras televisivas criticando a tudo e a todos como se donos da verdade fossem. Até viabilizam um ou outro ajutório para algum necessitado para se livrarem da pecha de que não fazem nada a não ser criticar. Entretanto, o mal que produzem com suas palavras inconsequentes, inverídicas e maldosas é algo avassalador, pois acabam por desestimular os que acreditam que ajudar ao próximo desinteressadamente é fundamental.
Atacam especialmente e com mais voracidade aqueles que detêm cargos públicos. Acreditam que ser oposição é ser contra tudo o que os seus oponentes fazem e para isso entram num “vale tudo” inconsequente. Quantas pessoas capacitadas e vocacionadas para servir ao próximo abandonaram ou sequer entraram na política por causa das atitudes desses detratores?
A crítica honesta é fundamental. Sem ela não há o necessário aperfeiçoamento das ações humanas. Mas aquela recheada de mentira, calúnia, injúria e difamação não. Esta serve apenas para dar azo ao mau-caratismo de certos indivíduos que não vão chegar a lugar nenhum e, infelizmente, afastarão da política pessoas que, embora cheias de potencialidades, não se sujeitam a este tipo de enfrentamento desleal.