OPINIÃO

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Melhorar a economia é combater a criminalidade

Da Redação

| Edição de 24 de julho de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Relatório do 10º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Apucarana, feito a pedido da Tribuna, mostra uma evolução preocupante dos chamados crimes contra o patrimônio. O relatório trouxe dados de furtos e roubos a residências e veículos entre janeiro de junho deste ano no comparativo com o 1º semestre do ano passado. Na média geral, o número de casos registrou uma alta de 29%.
O fenômeno do aumento da criminalidade, é bom que se destaque, não é exclusivo de Apucarana.
O último relatório geral da Secretaria de Estado da Segurança Público, relativo aos dados do primeiro trimestre, aponta um crescimento generalizado desses crimes em todo estado. Das 23 Áreas Integradas de Segurança Pública (Aisps), em 22 os percentual foi de alta. Em todo estado, foram registrados 11,6% crimes do gênero a mais neste ano. Situação semelhante é enfrentada em todo país.
Não há como negar que a escalada da criminalidade está ligada aos efeitos da situação econômica e do retrocesso social decorrente do aumento dos índices de desemprego, desigualdade social e evasão escolar. Não é mera coincidência que a criminalidade aumenta quando a economia vai mal.
Os efeitos sociais decorrentes da crise foram, inclusive, tema de um trabalho do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que lançou um estudo no ano passado alertando para a necessidade urgente de adoção de medidas para minimizar a escalada da criminalidade decorrente da crise econômica.
Sempre se soube que reduzir esses índices é uma tarefa complexa onde a solução não se encontra apenas em uma vertente. O mesmo relatório da PM de Apucarana que mostra o crescimento dos crimes, destaca um aumento significativo das prisões relacionados a furtos e roubos. O número de pessoas presas por esses crimes no primeiro semestre deste ano foi 47% maior que no mesmo período do ano passado. Note-se que o aumento de prisões ultrapassa folgadamente o índice de crescimento dos crimes. É algo como enxugar gelo, os crimes aumentam, prende-se mais, lotam-se cadeias e presídios, mas os roubos e furtos não diminuem em decorrência disso.
O estudo do Ipea aponta como prioridades para reduzir o impacto da criminalidade pontos como a vulnerabilidade social, principalmente nas áreas mais violentas, fortalecer o controle de armas de fogo e redirecionar a política antidrogas para desestimular a demanda e, por consequência, os delitos decorrentes. Quem trabalha na área de segurança sabe que muitos furtos e roubos são cometidos por usuários de drogas.
Como se vê, é preciso pensar e agir na prevenção da criminalidade de forma global. E, nesse sentido, combater a crise econômica é uma prioridade.