Não é de hoje que os caminhoneiros reclamam do baixo frete e dos reajustes seguidos do diesel. Em abril, a categoria realizou um movimento nacional, bloqueando rodovias em vários estados. O protesto instalou um caos no País, com desabastecimento de combustível e também de alimentos. Na época, líderes do movimento chegaram a negociar com o governo federal, munidos de uma pauta de reivindicações. No entanto, poucos avanços foram conquistados.
Agora, sob a liderança de uma organização chamada Comando Nacional do Transporte (CNT), os caminhoneiros anunciaram para a próxima segunda-feira o início de uma nova mobilização nacional. Alguns reflexos do movimento foram antecipados. Temendo o desabastecimento de abril, muitos motoristas correram aos postos de combustíveis e a gasolina já começou a faltar.
Em Ivaiporã, os estoques zeraram já na noite de quarta-feira. Em Apucarana e Arapongas, longas filas vêm se formando nos postos desde a tarde de quinta-feira e o combustível já está rareando. Isso porque a reposição da gasolina está mais demorada por conta de outra greve, a dos petroleiros, que estão fechando refinarias no País, inclusive a Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, na Região Metropolitana de Curitiba.
Todos sabem da importância dos caminhoneiros para o Brasil e da situação complicada da categoria, que convive com diesel caro, baixos fretes e estradas em péssimas condições. No entanto, é previso avaliar se o momento é oportuno para essa paralisação. A propósito, a greve não tem apoio de nenhuma entidade formal da categoria e não conta também com uma pauta de reivindicações concreta. Os manifestantes, inclusive, afirmam claramente que não pretendem negociar com o governo e que o objetivo dos bloqueios, segundo Ivar Schmidt, um dos expoentes do movimento, é obter a renúncia da presidente Dilma Rousseff.
Ora, a mobilização não pode ter um caráter meramente político, sem objetivos claros e ainda sem o interesse de sentar na mesa de negociação. O custo para o País é muito alto, ainda mais num momento de crise econômica e que qualquer movimentação nesse sentido amplia as dificuldades de todos os brasileiros. É preciso pensar nisso.