O governo Michel Temer (PMDB) patina e repete os mesmos erros da antecessora Dilma Rousseff (PT), afastada do cargo pelo Congresso Nacional. O episódio envolvendo o agora ex-ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) revela que o atual governo ainda está preso a velhas práticas políticas. A população não admite mais esse tipo de comportamento, não importa qual o partido ou o político no poder.
A queda do ministro – o sexto em sete meses de governo Temer - é um símbolo da política nefasta no Brasil, em que interesses pessoais são colocados acima da nação. Geddel Vieira Lima foi denunciado pelo ex-ministro Marcelo Calero, da Cultura. Segundo Calero, Geddel estava o pressionando a liberar um empreendimento imobiliário embargado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em Salvador, no qual o ministro da Secretaria de Governo comprara um apartamento.
Essa negociação de assuntos particulares envolvendo ministros, por si só, já é uma afronta, mas a situação é ainda mais grave porque esse assunto envolveu o presidente da República, Michel Temer. Marcelo Calero, que pediu demissão do cargo, afirma que recebeu pressão até mesmo de Temer para resolver a questão do empreendimento imobiliário. O ex-ministro da Cultura, inclusive, disse ter gravações do presidente. É mais um escândalo político que mostra que muito pouco se aprendeu com a Operação Lava Jato.
Apesar de tudo isso, Temer e políticos de alto escalão do governo federal fizeram de tudo para blindar Geddel. Ele apenas saiu do cargo porque a situação ficou insustentável. O presidente errou rotundamente ao não tomar medidas mais ágeis, afastando o ministro imediatamente diante da gravidade das denúncias. No entanto, a relação entre eles era muito próxima. Tanto é que Geddel chama Temer de “fraterno amigo”.
Temer perdeu credibilidade com esse episódio. Após o trauma do impeachment, a população esperava uma postura totalmente diferente do atual presidente, que tanto critica a antecessora, mas mantém essa política nefasta, de privilegiar amigos e antigos correligionários. Os interesses nacionais devem estar em primeiro lugar. É inadmissível que um ministro aja nos bastidores para liberar uma obra de seu interesse, usando do cargo em benefício próprio. É uma afronta, que agora o Poder Judiciário tem a obrigação de tomar as providências cabíveis.
Temer não pode aceitar esse tipo de conduta no seu governo. O presidente da República, tão elogiado por sua experiência, tropeça ao se cercar de pessoas de conduta duvidosa. É inaceitável que o peemedebista persista errando dessa maneira.