OPINIÃO

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O Brasil tem pressa e exige mudanças

Tribuna do Norte

| Edição de 19 de abril de 2016 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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O Brasil tem pressa em virar essa página do impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT). O impedimento da petista foi aprovado pela Câmara dos Deputados no domingo, com 367 votos favoráveis, 25 a mais que o mínimo necessário (342). Foi uma vitória incontestável da oposição. O governo Dilma, mais uma vez, demonstrou toda sua inabilidade de articulação no Congresso.

Agora, o processo de impeachment segue para o Senado. A expectativa é de que os trâmites sejam acelerados na Casa. O País exige um desfecho imediato para essa paralisia política. No período que antecedeu à votação na Câmara, a presidente Dilma e aliados se concentraram em buscar apoio de parlamentares para evitar o inevitável. Não conseguiram. Agora, certamente, vão repetir a estratégia no Senado.

Enquanto isso, o governo está completamente parado. Por isso, a importância de votar e definir o assunto imediatamente. Pelo que se comenta, a aprovação no Senado é certa. Portanto, o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB), não pode postergar a análise do processo. É preciso colocá-lo em pauta o mais rápido possível.

A aprovação do processo do impeachment de Dilma não acaba com a corrupção. Pelo contrário. Muitos dos parlamentares que votaram pelo afastamento da petista estão “atolados” até o pescoço com acusações justamente de desvios de recursos públicos. É uma contradição que também não pode ser empurrada para debaixo do tapete.

Eduardo Cunha, um dos articuladores do impeachment, é o principal deles. Réu no Supremo Tribunal Federal (STF), ele foi alvo de ataques duros durante a votação no plenário. A cada agressão verbal recebida, reagia com uma frieza que lhe é peculiar e, ao mesmo tempo, assustadora. Cunha também precisa ser afastado do cargo. Sua figura é nefasta para a democracia.

Quanto ao governo Michel Temer, o que se espera é bom senso e mudança de rumos. Caso se confirme o impeachment, Temer enfrentará muita pressão ao herdar o mandato da petista. Ele não pode errar. É preciso fazer as reformas necessárias para recolocar o país nos trilhos. Qualquer deslize, pode lhe custar caro, afinal sua proximidade com a Lava Jato também é notória. A saída de Dilma é um passo fundamental na reconstrução do Brasil. Temer, no entanto, precisa confirmar sua habilidade política para conseguir o apoio necessário e se cercar das pessoas certas para realizar um bom governo.