Dados divulgados pelo Detran do Paraná mostram que todos os dias são registrados, em média, 40 acidentes envolvendo motociclistas no Estado. Além do número, chama atenção a gravidade dos acidentes.
Estudos mostram que o risco de morrer em um acidente de moto é 20 vezes maior do que em um automóvel e essa probabilidade sobe para 60 vezes se a pessoa não estiver usando o capacete.
Atualmente, mais de metade das internações pelo Sistema Único de Saúde (SUS) são de motociclistas, que respondem por três quartos das indenizações do Seguro Obrigatório de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Vias Terrestres (DPVAT). Os dados foram divulgados no final do ano passado, em fórum nacional de trânsito promovido pela Cruz Vermelha.
Com o aumento da frota de motocicletas, estimada pelo Denatran em dezembro do ano passado em cerca de 24 milhões de unidades, ou seja, cerca de 26% da frota nacional total, o motociclista vem assumindo o papel de peça mais frágil na dinâmica do trânsito brasileiro, um papel que até então era ocupado pelo pedestre.
Desde 2009, os acidentes com motocicletas superaram em vítimas fatais os atropelamentos, passando a ser a principal causa das mortes no trânsito. As fatalidades sobre duas rodas aumentaram 846,5% entre 1996 e 2010.
Não precisa ser especialista para explicar porquê o motociclista sair perdendo nessa equação. A motocicleta é mais limitada, em tamanho e segurança, e exige maior habilidade na condução. O fato da moto ser mais afetada pela exposição a buracos, más condições das vias e ter menor visibilidade frente aos demais veículos estão entre as causas de aumento de risco de acidentes.
Some-se a isso o fato de muitos motociclistas não serem capacitados para conduzir o veículo, que tem um custo mais baixo e, portanto, tem fácil acesso - a maioria dos flagrantes de condução sem CNH envolvendo menores relaciona-se a motocicletas - e o problema começa a ser melhor delineado.
Bem por isso, é necessário investir em ações a longo e médio prazo para prevenção desses números. Em Arapongas, município com uma frota de motos responsável por 27,5% da frota local, com também um grande número de bicicletas e um trânsito com características de cidade metropolitana - a cidade é cortada por duas rodovias -, há tempos a prefeitura tem adotado ações destinadas exclusivamente para motociclistas. Muitas, aliás, foram tema de reportagem aqui na Tribuna, caso das palestras nos parques moveleiros - visando reduzir os riscos das saídas dos funcionários - e até uma escolinha para motociclistas detentores de CNH melhorarem suas capacidades de condução do veículo. A prevenção, somada a mudanças pontuais no trânsito, parece tersurtido efeito. Neste semestre, o número de acidentes com motos teve queda de 17%. Ainda assim, metade dos óbitos registrados no ano foram de motociclistas. Ou seja, há um longo caminho a percorrer para tornar o trânsito mais seguro.
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